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SÃO PAULO – Durante o ano passado, segundo dados da própria ANP (Agência Nacional de Petróleo), a gasolina subiu cerca de 12,73%, em decorrência da forte desvalorização do real frente ao dólar e da alta do preço do petróleo nos mercados internacionais.
Depois de começar o ano com uma forte redução em preços, a gasolina subiu forte durante a segunda metade do ano e acabou sendo um dos itens que mais contribuíram para a alta da inflação em 2002. O aumento dos gastos com combustíveis pressionou o orçamento do brasileiro, que terminou o ano com menos poder aquisitivo do que quando começou.
Preços 22% mais altos
Contudo, um levantamento do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), órgão que acompanha diariamente o preço dos combustíveis no mercado doméstico e internacional, sugere que os aumentos podem ter sido excessivos.
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O levantamento afirma que depois de ter ficado defasada, a gasolina brasileira estaria em média 22% mais cara do que os preços praticados no mercado internacional. Segundo o diretor do CBIE, Adriano Pires, esta diferença em preços se deve principalmente à recuperação do real frente ao dólar desde o início do ano.
Pires confirma que, apesar dos preços no mercado internacional continuarem elevados devido ao risco de um conflito no Oriente Médio e da greve na Venezuela, o preço no mercado interno foi afetado pela recuperação do real, que desde meados de novembro teria subido 13% em relação ao dólar. Outro combustível que estaria com os preços mais elevados do no mercado externo é o diesel, que, segundo Pires, estaria 8% mais caro.
Defasagem de preços custou R$ 300 milhões/mês
O diretor do CBIE lembra que o preço destes combustíveis teria ficado defasado em relação ao mercado externo durante o período eleitoral, quando o governo decidiu não reajustar os preços para evitar maiores pressões na inflação.
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Apesar de o Brasil produzir cerca de 80% do petróleo que consome, no início de 2002 o governo optou por alinhar os preços com o mercado internacional, como forma de atrair investidores para o setor. A defasagem durante os meses de julho e novembro teria custado o equivalente a US$ 300 milhões por mês à Petrobrás.
Mesmo confirmando que os preços no Brasil estariam mais altos que o necessário, Pires acredita que este não seja o momento de repassar esta diferença ao consumidor, pois o cenário ainda é muito instável tanto a nível externo, com o aumento do risco de conflito no Iraque, quanto no interno, onde a moeda norte-americana ainda sofre fortes oscilações.
Fundo evitaria necessidade de reajustes
Desta forma, Pires defende que o governo aproveite o momento para criar um fundo, com os valores excedentes para que, em caso de novos aumentos, possa retardar o repasse aos consumidores.
Por sua vez, o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, Maurício Tolmasquin, afirmou na semana passada que o novo governo pretende manter a política de alinhamento de preços como era adotada no governo anterior. Contudo, sinalizou que em caso de conflito no Oriente Médio o governo deve tentar segurar os preços internamente para evitar maiores pressões inflacionárias.