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SÃO PAULO – As facilitações divulgadas recentemente para a liberação do crédito para a compra da casa – principalmente no que diz respeito ao alongamento de prazo de pagamento para 30 anos – não são vistas como muito benéficas exatamente pela ABMH (Associação Brasileira de Mutuários da Habitação). Conforme a entidade, quanto mais tempo se demora para quitar a dívida, maior a probabilidade de haver inadimplência.
“Na média, o juro é de 9% ao ano. Ocorre que dificilmente os salários são reajustados acima desse patamar, o que gera um comprometimento muito forte do orçamento”, explicou José Antunes, diretor da entidade. “No momento em que o prazo de pagamento sobe para 30 anos, o custo final do financiamento também aumenta. Se subir de dez anos para 30 anos, há um incremento de 70% no custo final”, relatou.
Liberação de recursos
De acordo com a Nota de Política Monetária do Banco Central com dados de setembro, o volume de recursos destinados ao financiamento de imóveis para pessoas físicas, no total acumulado até aquele mês, ultrapassou todo o volume concedido em 2006. Foram R$ 14 bilhões liberados nos nove primeiros meses, sendo que, nos 12 meses do ano passado, esse total foi de quase R$ 12 bilhões.
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Analisando apenas o total até setembro, em ambos os anos, é verificado um aumento na ordem de 62%, passando de R$ 8,461 bilhões para R$ 14,010 bilhões. Mesmo com esse resultado, em outubro, houve novo avanço, de 2,4%, sobre o mês anterior.
Melhor opção
Na avaliação de Antunes, o consumidor deve financiar o mínimo possível do valor da casa ou do apartamento que deseja comprar. “Claro que depende da renda de cada um, mas é melhor fazer uma pequena poupança antes de comprar, assim como utilizar o FGTS para dar a maior entrada possível”, contou.
Além disso, é importante que a febre do crédito imobiliário não leve as pessoas a adquirirem imóveis acima de seus padrões ou necessidade. “A ABMH aconselha que o consumidor procure apenas o que é necessário naquele momento. Por exemplo: se a família tem apenas um filho, é interessante optar por um imóvel de dois quartos, mais barato, do que um de três”, exemplificou.
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O mutuário não deve comprometer mais do que 25% de sua renda com a parcela do financiamento. Isso faz com que seja mais difícil uma possível inadimplência.