Férias: o que o turista deve fazer diante da escalada do dólar

Moeda estrangeira dispara em junho, acumulando alta de 10%, e preocupando os turistas com viagem marcada para o exterior

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SÃO PAULO – As férias de inverno mal chegaram e já estão causando certa euforia entre aqueles que aproveitarão os dias de folga para relaxar e se recompor para mais uma temporada de trabalho. Os que optaram por roteiros nacionais estão mais tranqüilos; afinal, o Brasil é repleto de montanhas, que no mês de julho oferecem um clima agradável, com direito a passeios a cavalo e noites em frente à lareira. Já para aqueles que estão fugindo do frio e decidiram aproveitar o calor e o sol do hemisfério norte, a alegria não é tão grande.

Sair do país envolve gastos em dólares, que vão desde a passagem aérea à estadia nos hotéis. E com a escalada da moeda norte-americana nos últimos dias, férias fora do país podem significar um aperto no bolso e despesas bem acima do previsto. A advogada Mara Cristina dos Santos pretende embarcar dia 04 de julho para San Diego, EUA, onde irá visitar a irmã. “Achei melhor comprar os dólares perto da viagem. Tinha medo de perder dinheiro se comprasse antes. Agora eu vejo que me enganei”, lamenta. Assim como a maioria dos turistas brasileiros com destino ao exterior, a advogada continua sem saber o que fazer. “Não sei se compro logo ou espero até a data de embarque”, completa.

Alta do dólar não reflete situação econômica

Somente neste mês, o dólar registrou uma alta de aproximadamente 10%. Para desespero do turista brasileiro, o mercado continua tenso e preocupado com o desfecho das eleições. O pior de tudo é que de fato não existem justificativas consistentes para essa subida vertiginosa da moeda norte-americana. Desta forma, pode-se afirmar que o comportamento do mercado não reflete o que se passa na
Economia, mas sim o medo do que possa acontecer caso o candidato governista não seja eleito.

Curiosamente, investidores brasileiros e estrangeiros estão preocupados com as pesquisas eleitorais, que apontam uma vitória ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo que a esquerda entre no poder, não há motivos para supor que a dívida pública não seria paga. A moratória da dívida brasileira é um risco bastante remoto. Além disto, é difícil acreditar que qualquer candidato, inclusive os da oposição, ao chegar na presidência adotem atitudes unilaterais a respeito da dívida pública, seja ela interna ou externa. A iniciativa do candidato do PT de colocar no papel as linhas máximas de seu plano de governo, certamente foi um resultado positivo da crise que se instalou.

Além da variação do dólar estar atrelada ao risco Brasil, outro fator que contribuiu para a alta da moeda estrangeira foi a recente migração de investidores dos fundos DI e renda fixa para os fundos cambiais. Em função da marcação a mercado introduzida
no final de maio, muitos fundos com ativos em renda fixa registraram perdas, o que levou alguns investidores mais precipitados a optar pelos fundos cambiais, cujos ativos estão atrelados em parte ao dólar. E como acontece em qualquer mercado, inclusive o cambial, quando a procura aumenta e não há um ajuste na oferta a cotação também sobe.

Turista brasileiro deve esperar por um recuo

Apesar da moeda norte-americana poder continuar nessa trajetória ascendente, não é preciso entrar em pânico. Como ficou evidente com a queda desta última segunda-feira, em que o dólar caiu 2,28% e fechou em R$ 2,779, bastam algumas notícias positivas para que a moeda apresente um recuo, o que representa uma nova oportunidade para quem está de passagem marcada. Nesta segunda-feira o anúncio de novas medidas buscando conter a liquidez do mercado, como o aumento dos assim como o resultado de novas pesquisas eleitorais dando conta da queda de Lula e avanço de Serra, assim como o bom resultado da balança comercial foram suficientes para dar um pouco mais de tranqüilidade ao mercado.

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Com os investidores mais tranqüilos, o dólar terá espaço para se desvalorizar frente ao real. Naturalmente não podemos esperar que a moeda estrangeira volte aos patamares do início do ano, porém um recuo de 10% seria bastante razoável.
Portanto, para quem está aflito, sem saber o que fazer com os reais economizados para a viagem, o momento é de espera. É bem provável que o dólar venha a cair,
do que apresente novas valorizações nos próximos dias.

Planejamento é a melhor solução

Bem antes de pensar em fazer as malas, o ideal é que qualquer turista programe com antecedência a viagem, dando destaque para o lado financeiro. Especialmente
aquele que pretende sair do Brasil, a preocupação com a moeda estrangeira deve ser redobrada. Não se pode deixar que uma pequena oscilação do mercado atrapalhe
suas férias. Nesse sentido, é importante analisar com cuidado o que poderá ocorrer com o dólar no período que antecede sua viagem. Quem se prepara e planeja bem
as férias, nunca fica dependendo do humor do mercado financeiro.

No começo do ano já se esperava que o dólar apresentasse uma ligeira valorização ao se aproximar das eleições. Quem comprou a moeda norte-americana logo cedo certamente está bastante satisfeito com a cotação atual. No final das contas, nas vésperas do embarque, houve um ganho para quem aplicou em dólares no início de 2002. A estudante de Direito, Vanessa Pinheiro Luz, que passará o segundo semestre fazendo um curso em Nova York, não enfrenta sérios problemas com a volatilidade do mercado. “Estava juntando dinheiro desde novembro do ano passado. Tudo que eu economizava era para a viagem”, conta. “Se eu não tivesse trocando por dólares estaria perdida”, lembra Vanessa.