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SÃO PAULO – Diante da forte oscilação no mercado cambial, que levou a moeda norte-americana a registrar valorização de cerca 28% desde o início do ano frente ao real, as fabricantes de remédio do país já reivindicam um reajuste no preço dos medicamentos desde o final de junho.
A alegação é que como os princípios ativos da maioria dos medicamentos são importados, os fabricantes acabam sofrendo fortes perdas quando o dólar dispara frente ao real, como aconteceu nestes últimos meses.
Medicamentos indexados ao dólar
Ao que tudo indica o Governo não está interessado em rever o congelamento estabelecido no preço dos medicamentos desde janeiro, quando foi concedido o último aumento para a indústria.
No final de janeiro, a Câmara dos Medicamentos anunciou um reajuste médio dos preços dos remédios de 4,32% para as fabricantes de medicamentos, enquanto o valor máximo estipulado pela Câmara foi de 5,83%. Os reajustes entraram em vigor a partir do dia 31/01 e depois disto os preços estariam congelados até o inicio de 2003.
Por sua vez, a Federação Brasileira da Indústria de Medicamentos (Febrafarma) entrou com um pedido junto à Câmara de Medicamentos (Camed) para que os preços dos remédios passem a ser reajustados conforme a variação do dólar, criando com isto o chamado remédio flutuante.
O presidente da Febrafarma, Ciro Mortella, defende a medida alegando que seria criado um teto e que os reajustes seriam aplicados se o dólar ultrapassar este teto, mas como se trata de reajustes temporários, o preço do remédio cairia assim que o dólar recuasse abaixo deste limite.
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Defasagem chegou a 15% com dólar a R$ 3,50
Em defesa deste pedido a indústria alega que como o último reajustes foi feito em janeiro, quando o dólar estava em cerca de R$ 2,35 basta que o dólar ultrapasse este nível que os fabricantes automaticamente registram perdas de margem. Vale lembrar que 30% dos custos de fabricação de remédios são cotados em dólar.
Para Mortella, estima que a defasagem no primeiro semestre tenha chegado a 15% quando o dólar alcançou a marca de R$ 3,50 e reclama que o grande problema é, na verdade, o congelamento, pois impede o repasse do aumento dos custos para o consumidor. O forte aumento do dólar levou a Febrafarma a rever suas projeções de vendas de remédios para este ano, que inicialmente era de crescimento de 5% mas agora é de estabilidade.