Febraban: apesar do spread, lucro dos bancos não ultrapassa padrão mundial

Já ex-ministro Bresser afirma que taxas de juros ainda são elevadas e que BC erra ao não realizar reduções maiores na Selic

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SÃO PAULO – Apesar do elevado spread, o lucro dos bancos brasileiros não ultrapassa os padrões internacionais. Essa é a opinião do economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Rubens Sardenberg, que se reuniu com a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (4).

Spread é a diferença entre os juros que os bancos cobram nos empréstimos a seus clientes e os juros que eles pagam quando captam dinheiro. Esse percentual de diferença compõe parte do lucro dos bancos porque, geralmente, os juros que eles pagam são menores que os que cobram.

Sardenberg afirmou durante o seminário que o spread nas operações entre bancos e empresas é de 17,1%, em média. Porém, quando se consideram operações como créditos rurais e leasing, essa média cai para 12,1%.

“Apenas 4 pontos percentuais do total do spread representa o lucro líquido dos bancos. Grande parte desse valor é gasto com as despesas dos bancos, como impostos (23,3%) e inadimplência (34%)”, afirmou Sardenberg, de acordo com informações da Agência Câmara. O valor, segundo ele, condiz com os spreads de outros países, como o México (19,9%) e o Chile (17,9%).

Taxas ainda altas
Já o ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira, afirmou que as taxas de juros ainda estão muito altas. “Essa situação beneficia as pessoas que vivem de renda, em detrimento de quem produz”, disse ele.

Durante o evento, o ex-ministro afirmou que os gastos do governo não são a causa da alta taxa de juros, pois o Brasil tem cumprido suas metas fiscais e a dívida pública vem diminuindo.

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Bresser acredita que as decisões do Banco Central de aumentar ou diminuir a taxa básica de juro (Selic) são acertadas, na maioria das vezes. “O BC erra, contudo, nos níveis escolhidos. Os índices de diminuição da taxa, por exemplo, deveriam ser maiores”, afirmou.