Fatura de cartão de crédito dispara com alta do dólar

Consumidor que não pode pagar fatura integralmente deve tentar levantar empréstimo pessoal ou antecipar 13o., pois juros são bem menores que os do cartão

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SÃO PAULO – Durante a época de férias, muitos pais decidem viajar com seus filhos, sendo que no inverno as viagens para parques temáticos nos EUA estão entre as preferidas. Os preparativos para a viagem começam bem antes do início das férias, uma vez que é preciso tirar passaporte, reservar hotéis com antecedência, etc. Como o mês de julho coincide com o início das férias de verão nos EUA, além de lotados, nesta época do ano, os hotéis nos EUA cobram taxas mais altas.

Depois de meses planejando sua viagem, desistir de última hora porque o dólar está em alta é impossível, pois os custos de cancelamento das reservas são altos, e a decepção da família é tanta, que a maioria acaba decidindo manter os planos iniciais. Até porque alta do dólar é algo que já estamos acostumados, e a volatilidade da moeda é tão grande, que quem sabe na volta o dólar já não recuou para níveis mais aceitáveis?

Surpresa desagradável

Voltar de férias nunca é agradável, afinal retornar a realidade do dia a dia, depois de ter passado dias paradisíacos com a família é o bastante para deixar qualquer um desanimado. Em 2002 este desânimo pode ter se transformado em pesadelo para alguns brasileiros, pois a alta do dólar acabou elevando os gastos da viagem colocando em risco o próprio orçamento da família.

Imagine o desespero de quem começou a planejar suas férias em maio quando o dólar ainda estava em R$ 2,40, e chegou no final de julho para ver o dólar bater os R$ 3,47! Se você tinha se planejado para gastar US$ 2 mil ao chegar no Brasil viu esta conta aumentar em mais de R$ 2 mil, ou 45% a mais do que planejava inicialmente gastar. Para quem não tem uma reserva para gastos extraordinários, o forte aumento nos custos pode acabar significando que terá que “rolar” a dívida pagando apenas o valor mínimo exigido na fatura. Em geral este valor mínimo varia entre 10% e 20% do valor total da fatura.

O problema de rolar estes valores é que as taxas de cartão de crédito estão em cerca de 10,5% ao mês, de forma que para quem não tem dinheiro suficiente para pagar a fatura integralmente vale a pena levantar um empréstimo pessoal ou buscar uma linha de antecipação de décimo terceiro, cujos juros são menos do que a metade do que aqueles cobrados no cartão, variando entre 4% e 5%.

Que dólar usar na fatura?

Algumas pessoas ainda se animaram acreditando que a taxa de câmbio usada para calcular a fatura seria feita com base no dólar do dia em que efetuou o gasto. Como o dólar só ultrapassou a marca dos R$ 3,00 na semana passada, isto significa que os gastos poderiam ter sido calculados com uma taxa mais baixa.

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Infelizmente não é assim que funciona. A primeira coisa a fazer é saber a data de vencimento da sua fatura, vamos imaginar que ela fosse no dia 25 de julho. Neste caso, o cálculo da fatura é feito com cinco dias úteis de antecedência, portanto no dia 18 de julho. É a taxa de câmbio deste dia que será usada para estimar o quanto você gastou no exterior. No exemplo acima, os US$ 2 mil seriam convertidos em reais com a taxa de R$ 2,843, portanto seriam equivalentes a R$ 5.686,00.

Este é o valor que estará indicado na sua fatura, mas como no dia 31 de julho, data de vencimento o dólar estava cotado em R$ 3,47, na verdade você deveria ter pago R$ 6.940,00, uma diferença de R$ 1.254,00, que será incluída na sua próxima fatura.

Por outro lado, se a sua fatura foi calculada no dia 31 de julho, mas só vence no dia 5 de agosto, e no dia 5 o dólar cair para R$ 3,00. Então a fatura indicaria um valor a pagar de R$ 6.940, mas na verdade você teria que pagar apenas R$ 6 mil, de forma que a diferença, os R$ 940 seriam transferidos para o mês seguinte como um crédito em seu favor.