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SÃO PAULO – As famílias ricas gastam, em média, 30 vezes mais com educação do que as de baixa renda. E quanto mais cresce o nível educacional, maior é esta diferença. Para se ter uma idéia, enquanto as famílias mais ricas gastavam 33 vezes o valor desembolsado pelos mais pobres na pré-escola, a razão aumentou para 95 vezes no ensino fundamental, 236 vezes no ensino médio e 284 vezes no ensino superior.
Os dados são do livro “Gastos e consumo das famílias brasileiras contemporâneas”, divulgado na quarta-feira (20) pelo Ipea, que revelou ainda que os gastos com educação aumentaram sua participação no orçamento das famílias entre os anos de 1987 e 2003.
O estudo mostra que, em 1987-1988, esses gastos representavam cerca de 3,2% das despesas correntes das famílias, percentual que subiu para 5,5% em 2002-2003. Com isso, as despesas com educação foram as que mais cresceram na comparação entre 1987 e 2003, seguidas por despesas correntes, habitação, higiene e saúde.
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Desigualdade
As despesas com educação representaram o segundo item de maior desigualdade entre as famílias de maior e menor poder aquisitivo. Em média, as famílias mais ricas gastaram
quase 30 vezes o valor desembolsado em educação pelas famílias de baixa renda.
Dados revelam que, enquanto as famílias até o 4º décimo da distribuição de renda destinaram à educação menos de 1,5% de seu orçamento, as famílias no penúltimo e no último décimo da distribuição de renda desembolsaram, respectivamente, 5,4% e 4,8%.
Assim, o gasto médio mensal das famílias situadas no último décimo foi de R$ 257,73, bem superior, portanto, aos R$ 5,58 mensais gastos pelas famílias do primeiro
décimo de renda.
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Diferenças nas regiões
O estudo revela ainda que as diferenças regionais interferem nos gastos com educação. Enquanto no Sudeste o gasto com educação representava 4,1% das despesas correntes, o percentual era de 2,1% e 3,0% nas regiões Norte e Nordeste,
nessa ordem.
Além disso, a composição das despesas variou conforme a região. Norte e Nordeste concentraram um percentual maior de seus gastos nos níveis mais baixos de ensino (pré-escola e ensino fundamental, no Norte, e pré-escola, ensino fundamental e ensino médio no Nordeste) e em despesas com livros didáticos e artigos escolares. Sudeste, Sul e Centro-Oeste, por outro lado, apresentaram percentuais bem mais elevados de despesas com ensino superior.