Estímulo dos bancos ao endividamento dificulta educação financeira

Opinião é da Proteste - Associação de Consumidores; entidade acredita que preocupação dos bancos não passa de marketing

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SÃO PAULO – O estímulo dos bancos ao endividamento dificulta a educação financeira do consumidor, segundo análise da Proteste – Associação de Consumidores.

De acordo com a entidade, as instituições financeiras propagam sua preocupação com o crédito consciente, mas a prática não valida o discurso, que, para a Associação, é muito mais de marketing do que verdadeiro.

Além disso, há uma forte tendência de endividamento difícil de ser controlada individual ou coletivamente, sendo que os maiores problemas, sobretudo para os consumidores de baixa renda, são a tentação e as pressões para fazer empréstimos consignados; os correspondentes bancários, que muitas vezes se aproveitam da falta de informação e de conhecimento dos consumidores, em locais distantes dos grandes centros; e os bancos que oferecem crédito a taxas altas, sem comprovação de renda e nem garantias do consumidor.

“É um direito legítimo que os novos consumidores de classe média queiram comprar bens e serviços com que sempre sonharam. Por outro lado, financiamentos são altamente complexos para quem não domine os fundamentos da matemática. E que não tenha o hábito, nem renda suficiente, para poupar”, observou a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci.

Cartão de crédito
Ainda na opinião da Proteste, os cartões de crédito também fazem o papel de vilão na educação financeira do consumidor.

Isso porque, diz a entidade, muitas pessoas confundem o dinheiro de plástico com crédito de plástico, e se endividam de maneira assustadora, ficando expostas aos juros altos do crédito rotativo.

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“Aumentar o consumo meramente via crédito é uma faca de dois gumes. De um lado, ativa a economia, provocando um ciclo virtuoso – geração de empregos, pagamento de impostos, aumento dos salários. De outro, estimula o endividamento”, ressalta a Associação.

Por fim, alerta, as informações sobre produtos e serviços financeiros ainda estão aquém das necessidades. Para a entidade, é preciso simplificar e popularizar essas informações, a fim de que mais pessoas possam entendê-las; e também há necessidade de maior padronização dos termos utilizados, a fim de facilitar a comparação de condições oferecidas pelas instituições financeiras.