Envio de dinheiro de imigrantes para AL deve cair 11% este ano

Motivo apontado para isso é a crise, que provocou maior desemprego; enviar dinheiro está mais caro, revela BID

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SÃO PAULO – Uma pesquisa realizada pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) revelou que as remessas de pessoas residentes no exterior para a América Latina e o Caribe devem cair 11% este ano, para um montante de US$ 62 bilhões.

A estimativa reflete os impactos da crise econômica global no trabalho de imigrantes dessas regiões, a maioria deles residentes em países industrializados que foram afetados pela recessão, como os Estados Unidos, a Espanha e o Japão.

“A crise está claramente limitando a capacidade dos imigrantes de enviar dinheiro para a casa”, disse o presidente do BID, Luís Alberto Moreno. “No entanto, as remessas diminuíram menos do que outros fluxos financeiros privados para a região, à medida que imigrantes continuam a fazer sacrifícios para prover suas famílias”.

Um dado interessante da pesquisa é que o custo das remessas, que estava caindo até então, devido à competitividade, começou a subir.

População da região

A redução nas remessas pode causar impacto para mais de quatro milhões de pessoas na América Latina e Caribe, sendo que aproximadamente um terço delas estão no México, de longe o maior receptor de remessas da região.

Remessas dos Estados Unidos – onde o desemprego entre latino-americanos é maior do que na população em geral – devem diminuir em 11%, para US$ 42,3 bilhões. Neste país, os imigrantes estão enviando com menor frequência e em menores quantidades. As remessas passaram de 15 para 12 ao ano, enquanto o valor médio passou de US$ 241 para US$ 230.

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Já os imigrantes da Europa devem reduzir em 4,5% as remessas, para US$ 9 bilhões. Em relação às remesses dos demais países, a queda será de 4,5%, para US$ 10,4 bilhões.

Envio de dinheiro

De acordo com a pesquisa, mesmo os imigrantes desempregados estão enviando dinheiro para a família, o que é possível entre aqueles que possuem uma reserva financeira. Longe de casa, eles estão se empenhando em diferentes estratégias para manter as remessas, mesmo durante a recessão.

Cerca de 45% dos respondentes disseram que estão reduzindo agora os montantes enviados para a família. Mais de um terço deles reduziu suas despesas diárias e um quinto conseguiu um segundo emprego.

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Questionados sobre se querem voltar ao país de origem, 34% responderam que sim e em um futuro próximo. Na pesquisa do ano passado, apenas 20% deram a mesma resposta. O motivo mais citado foi rever a família, não a falta de emprego.

O estudo foi realizado com base em uma pesquisa com 1.350 imigrantes da América Latina e Caribe, durante os meses de março e junho.