Endividado? Siga dez passos para sair do vermelho

Segundo especialista, em primeiro lugar o inadimplente precisa entender que não comete um pecado estando nessa situação

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SÃO PAULO – Decidir colocar as contas em ordem não é tarefa fácil. Antes disso, é necessário assumir que os problemas financeiros existem e encará-los – o que torna a situação mais complicada. Contudo, mesmo diante disso, é possível sair do sufoco.

Conforme a jornalista Mara Luquet*, especialista na área de finanças há cerca de dez anos, em primeiro lugar, o inadimplente precisa entender que não comete um pecado estando nessa situação. Porém, mesmo não sendo crime ou pecado, o ato de dever não é um problema trivial e tem de ser encarado com responsabilidade.

Rumo ao azul

Quer sair dessa situação? A especialista aconselha: respire fundo e siga dez passos para sair do vermelho, rumo ao azul.

Passo 1 – liste tudo o que você ganha: salário, pensão, aluguel de imóvel, entre outros. Não inclua o limite do cheque especial. Aquele dinheiro do banco deixado à sua disposição para “eventualidades” não é lucro, mas dívida. “Caso você não consiga, como eu, tal limite como uma dívida, peça a seu gerente que simplesmente o elimine”, explica Mara.

Passo 2 – liste as despesas: no mesmo papel, ao lado, anote todos os seus gastos mensais. Não considere as dívidas, apenas os gastos para viver, como comida, aluguel, transporte, escola, contas da casa e assim por diante.

Passo 3 – subtraia os resultados: o quanto você ganha não dá para pagar as contas do mês? Volte para a lista de despesas e comece a cortar o que for possível: TV a cabo não é essencial, assim como é possível economizar com o telefone.

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Passo 4 – programe o pagamento das contas: o que sobrou – e somente essa folga orçamentária – será destinada à quitação de suas pendências.

Passo 5 – cuidado com a parcela: Mara explica que os pagamentos mensais dos débitos pendentes não podem superar 20% dos seus ganhos. Quanto maior o valor assumido, menor será a possibilidade de arcar com ele.

Passo 6 – sabendo o que deve: liste todas as suas dívidas, incluindo os juros que serão pagos junto. A ação é importante porque é possível entender quanto custa exatamente cada pendência e priorizar aquelas mais caras – ou, em outras palavras, com taxas maiores.

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Passo 7 – comece a pagar: depois de saber qual o débito mais oneroso, comece a pagá-lo. O lado bom de refinanciar a dívida – além, claro, de ficar com a consciência mais tranqüila – é que não são mais cobrados juros e multas.

Passo 8 – economize com taxas: aceite alguns empréstimos que possuem juros mais baratos do que o da sua pendência. Como exemplo, está o crédito direto a consumidor (CDC), que possui taxas bem menos onerosas do que o cheque especial.

Passo 9 – deixe acontecer: não se desespere com o tempo que demorar para acabar com todos os débitos. Nesse meio tempo, é apenas não assumir mais dívidas que sua situação vai se regularizar, mesmo que demore um pouco mais.

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Passo 10 – não se intimide: cara feia e ameaça não pagam suas contas, portanto, não deixe que os cobradores façam você se sentir mal.

* Com informações do livro “Tristezas não pagam dívidas”, publicado pela editora Saraiva em 2007