Dólar faz brasileiro gastar mais com alimentação

Alimentos e bebidas responderam por 60% do aumento do IPCA de setembro; consumidor tenta equilibrar gastos comprando marcas mais baratas

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SÃO PAULO – A alta do dólar deve continuar pressionando o bolso do consumidor nos próximos meses, uma vez que na ausência de posições mais firmes e claras dos candidatos à presidência, a especulação que domina o mercado de câmbio deve continuar até mesmo depois das eleições. Quem sofre é o consumidor que vê seu salário cada vez mais corroído, diante do aumento dos preços dos últimos meses.

Repasse é inevitável

Apesar das medidas adotadas pelo Banco Central para tentar combater à especulação no mercado de câmbio, o fato é que o dólar opera novamente em alta nesta quinta-feira, aproximando-se cada vez mais dos R$ 4,00.

Diante desta valorização a alta nos últimos 30 dias já alcança a marca de 25% e no ano se aproxima cada vez mais dos 70%, forçando as indústrias a reajustar seus preços para compensar o aumento dos custos de produção. Um dos setores mais afetados é o de alimentação e bebidas, seguindo de perto pelos itens de limpeza e higiene pessoal.

Apesar dos esforços dos supermercados de impedir um repasse integral destes aumentos para o preço dos produtos, a pressão dos fabricantes é cada vez maior. Muitos supermercados estão evitando novas compras, ou optando por marcas mais baratas na prateleira, mas ainda assim como indicam os índices de inflação dos últimos meses, o impacto já pode ser sentido no bolso.

Segundo o vice-presidente da Sendas, Nelson Sendas, os varejistas estão tentando negociar os preços já que existe uma certa especulação nas tabelas, mas algum tipo de repasse é inevitável.

Aumentos chegam a 20%

Os supermercados já estão recebendo novas tabelas dos fabricantes e a expectativa é de que alguns itens como cervejas, por exemplo, sofram reajustes entre 5% e 20%, pois além de aumentar o preço cessariam as promoções. Outros produtos como derivados do trigo, que incluem pães, massas e biscoitos, sofrem aumentos de até 10%, enquanto itens de limpeza e higiene sobem algo em torno de 5% a 15%.

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Apesar dos varejistas estarem travando uma batalha para impedir um repasse maior para o consumidor, o consumidor já vem arcando com os custos da alta do dólar. Nos últimos 30 dias, por exemplo, alguns alimentos registraram aumentos de mais de 20%, como é o caso, por exemplo, do óleo de soja (21,6%).

Em outros casos, o aumento ainda que menor, supera os 5%, como é o caso do leite em pó (5,8%), do arroz (8,2%), do frango (8,6%) e da margarina (15%). O pior é que não existe qualquer expectativa de queda sem um recuo significativo do dólar, o que talvez só aconteça daqui a alguns meses.

Brasileiro gasta mais com comida

O grande problema é que a maior alta dos preços acontece exatamente no item de alimentação, como verifica-se pelos índices de inflação divulgados para o mês de setembro.

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No caso do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado para medir as metas de inflação, a alta dos preços foi de 0,72% em setembro dos quais 60% em conseqüência do aumento médio de 1,94% dos alimentos e bebidas. Estes aumentos levaram o IPCA a superar as expectativas do mercado, que esperavam um aumento de 0,55%. Somente em setembro o óleo de soja subiu 14,23%, mesma tendência de alguns derivados do trigo, como farinha de trigo (10,71%), macarrão (5,60%), biscoito (4,28%) e pão francês (2,68%).

A maior preocupação reside no fato de que a alta do dólar já começa a contaminar outros produtos, como ilustra a alta de 0,37% dos itens não alimentícios e de 1,90% dos eletrodomésticos. Segundo a gerente do Sistema de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes, nos meses anteriores, o impacto do câmbio era concentrado em alguns preços, mas em setembro ele atingiu outros itens, afetados pelo aumento das embalagens, por exemplo.

Em resposta o consumidor está fazendo aquilo que pode para equilibrar seu orçamento, optando por produtos mais baratos e deixando de lado as marcas líderes. Como ninguém pode deixar de comer, especialmente alguns itens básicos, como os derivados do trigo, a única alternativa restante é optar pelos produtos mais baratos.