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SÃO PAULO – Com o dólar disparando a cada pregão consecutivo, planejar uma viagem ao exterior exige muita calma e estômago do candidato a turista no verão. Pensar em viajar para fora do país pode ser considerado um verdadeiro luxo. Afinal, uma passagem aérea para Nova York, que custava até algumas semanas atrás em média R$ 1.860, chegou a custar nessa semana o equivalente a R$ 2.292, um acréscimo de mais de 23%.
E não foi preciso o dólar passar dos R$ 3,80 para que o turista começasse a evitar roteiros internacionais. No mês passado, segundo dados do Banco Central, os gastos de brasileiros com viagens ao exterior recuaram 29% em relação ao mesmo período de 2001. Em agosto, os brasileiros gastaram US$ 183 milhões fora do país, obviamente em função do dólar, que somente nesse ano já acumula uma valorização de aproximadamente 67% frente ao real.
Litoral brasileiro será o destino no verão
Nem as opções que costumam ficar em conta, como Buenos Aires, escapam do efeito do dólar. Apesar da desvalorização do peso, que deixou os produtos argentinos bastante atraentes, um fim-de-semana em Buenos Aires não sai hoje por menos de US$ 250, ou seja, R$ 950, com o dólar a R$ 3,80. Com esse valor, é possível passar uma semana num hotel em Forlaleza. É só fazer as contas e ver o que é mais interessante.
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Aumentando nossos parâmetros, um pacote de oito noites em Paris, com passagem aérea e café da manhã, está custando nessa semana cerca de US$ 1.100, isto é, R$ 4.180. Nesse preço, duas pessoas podem ficar oito noites em um resort luxuosíssimo em Itacaré, na Bahia, com direito a passagem aérea e pensão completa, ou seja, almoço e jantar incluídos. Outra opção é o Blue Tree Park de Angra dos Reis, RJ, também com pensão completa.
Turismo no Brasil vira opção barata para estrangeiros
Se por um lado a alta da moeda norte-americana provocou uma queda nas viagens de brasileiros ao exterior, os gastos de estrangeiros no Brasil aumentaram em cerca de 33% em agosto, totalizando quase US$ 179 milhões no período. Não é o dólar que está caro; é o real que está barato. Tudo uma questão de ponto de vista. Note que no mês passado, os gastos de brasileiros no exterior estão quase equivalentes aos gastos dos estrangeiros no país.
No entanto, se considerarmos o acumulado no ano, o gasto do turista brasileiro ainda é bem maior em relação ao estrangeiro. Mesmo assim, o déficit no setor turístico entre janeiro e agosto, de US$ 630 milhões, é 47% menor se comparado ao mesmo período do ano passado. Diante do atual mercado cambial, é fácil prever que o déficit continuará a cair ainda mais. Afinal, com o dólar nas alturas, o melhor mesmo é pegar uma praia no litoral brasileiro.
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Do ponto de vista econômico, ter o real desvalorizado pode significar um aumento das vendas dos produtos brasileiros no exterior e um acréscimo da entrada de estrangeiros no país. Para o ministro do Esporte e Turismo, Caio Luiz de Carvalho, a alta do dólar favorece o turismo no Brasil. “Festejar (a alta do dólar) não é patriótico, mas o turismo se beneficia, porque o brasileiro fica aqui, as divisas não vão para o Exterior, e fica mais barato para o estrangeiro vir ao Brasil e trazer divisas, gerando emprego, que é fundamental”, explica.