De 2002 para 2007, aumentou de 2% para 7% fatia de jovens inadimplentes

Consultores afirmam que cartão de crédito causa descontrole a quem não tem experiência. Mas é possível educar com o plástico

Publicidade

SÃO PAULO – Jovens estão ganhando, cada vez mais, espaço entre os devedores. A fatia de 7% dos inadimplentes cadastrados no Serviço de Proteção ao Crédito da Associação Comercial de São Paulo neste ano corresponde a consumidores com até 20 anos, sendo que essa proporção era de 2% em 2002. Já pesquisa da Mastercard mostrou que aproximadamente 60% dos usuários de cartão de crédito da empresa são clientes novos, com menos de três anos de casa.

Consultores afirmam que, antes de entrar no sistema financeiro, o jovem precisa de orientação. “O cartão de crédito não é um educador financeiro”, afirma Cássia D’Aquino. Segundo a especialista, a idéia do dinheiro de plástico causa uma falsa impressão de que a conta não será cobrada, o que gera descontrole do orçamento.

Adequação às parcelas

Existem ainda opiniões contrárias. O diretor de Marketing da Cartões Itaú, Fernando Chacon, por exemplo, afirma que o plástico auxilia as pessoas a adequar seu poder de consumo ao sistema de financiamento. Ao pagar parcelas que cabem no bolso, é possível fazer compras.

E pesquisa realizada pela mesma empresa mostrou que jovens costumam parcelar com incidência maior do que pessoas com idade mais avançada, exatamente por causa do baixo rendimento mensal. Veja:

Uso do cartão de crédito
Faixa etária Parcelamento das compras Tíquete médio compras parceladas Tíquete médio compras à vista
de 18 a 19 anos 56% R$ 131 R$ 29
de 20 a 29 anos 52% R$ 179 R$ 42
de 30 a 39 anos 50% R$ 216 R$ 54
de 40 a 49 anos 51% R$ 232 R$ 58
de 50 a 59 anos 50% R$ 58 R$ 239
60 anos ou mais 48% R$ 230 R$ 60

Fonte: Cartões Itaú

Maneira de educar

O assessor empresarial Assis Ricardo Martinez aconselha uma medida que ele mesmo tomou para a educação financeira de sua filha. Assim que a garota completou 12 anos, ganhou um cartão de crédito do pai com a seguinte promessa: sempre que gastasse abaixo do limite mensal, o dinheiro restante seria revertido para investimentos.

Continua depois da publicidade

“Hoje ela tem 16 anos e não gasta 40% do limite. Apliquei essa sobra em dois tipos de fundos: renda fixa e multimercados”, afirmou. Como as sobras mensais não somam valores muito altos, Martinez junta o “crédito” em porções para a compra de cotas.

Por ter acesso à fatura do cartão, é possível saber quando os gastos extrapolam. “Assim criou-se uma consciência financeira. Se não usar bem, recebe orientação e a resposta é extremamente positiva”, finalizou.