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SÃO PAULO – Jovens estão ganhando, cada vez mais, espaço entre os devedores. A fatia de 7% dos inadimplentes cadastrados no Serviço de Proteção ao Crédito da Associação Comercial de São Paulo neste ano corresponde a consumidores com até 20 anos, sendo que essa proporção era de 2% em 2002. Já pesquisa da Mastercard mostrou que aproximadamente 60% dos usuários de cartão de crédito da empresa são clientes novos, com menos de três anos de casa.
Consultores afirmam que, antes de entrar no sistema financeiro, o jovem precisa de orientação. “O cartão de crédito não é um educador financeiro”, afirma Cássia D’Aquino. Segundo a especialista, a idéia do dinheiro de plástico causa uma falsa impressão de que a conta não será cobrada, o que gera descontrole do orçamento.
Adequação às parcelas
Existem ainda opiniões contrárias. O diretor de Marketing da Cartões Itaú, Fernando Chacon, por exemplo, afirma que o plástico auxilia as pessoas a adequar seu poder de consumo ao sistema de financiamento. Ao pagar parcelas que cabem no bolso, é possível fazer compras.
E pesquisa realizada pela mesma empresa mostrou que jovens costumam parcelar com incidência maior do que pessoas com idade mais avançada, exatamente por causa do baixo rendimento mensal. Veja:
| Uso do cartão de crédito | |||
| Faixa etária | Parcelamento das compras | Tíquete médio compras parceladas | Tíquete médio compras à vista |
| de 18 a 19 anos | 56% | R$ 131 | R$ 29 |
| de 20 a 29 anos | 52% | R$ 179 | R$ 42 |
| de 30 a 39 anos | 50% | R$ 216 | R$ 54 |
| de 40 a 49 anos | 51% | R$ 232 | R$ 58 |
| de 50 a 59 anos | 50% | R$ 58 | R$ 239 |
| 60 anos ou mais | 48% | R$ 230 | R$ 60 |
Fonte: Cartões Itaú
Maneira de educar
O assessor empresarial Assis Ricardo Martinez aconselha uma medida que ele mesmo tomou para a educação financeira de sua filha. Assim que a garota completou 12 anos, ganhou um cartão de crédito do pai com a seguinte promessa: sempre que gastasse abaixo do limite mensal, o dinheiro restante seria revertido para investimentos.
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“Hoje ela tem 16 anos e não gasta 40% do limite. Apliquei essa sobra em dois tipos de fundos: renda fixa e multimercados”, afirmou. Como as sobras mensais não somam valores muito altos, Martinez junta o “crédito” em porções para a compra de cotas.
Por ter acesso à fatura do cartão, é possível saber quando os gastos extrapolam. “Assim criou-se uma consciência financeira. Se não usar bem, recebe orientação e a resposta é extremamente positiva”, finalizou.
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