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SÃO PAULO – Ao fazer uma análise do que foram os últimos três anos no Brasil, Ricardo Rocha, especialista em Finanças do Ibmec (Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais) observou que, nesse período, famílias das classes D e E migraram para a classe C.
Entretanto, ele alerta que, por conta da crise, justamente essas famílias sentirão os efeitos negativos da queda na renda antes dos demais.
“Até o momento, as estatísticas não permitem dizer que a classe C foi afetada totalmente pelo desemprego, mas, se a crise se acentuar, eles [pessoas que subiram na pirâmide social] serão os mais afetados pelos cortes e, pior do que isso, serão os que mais perderão renda”, disse à Agência Brasil.
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Conseqüências da crise
Segundo ele, a economia brasileira poderá atingir um crescimento, em 2009, entre 2,5% e 3%. Porém, isso dependerá de como os países desenvolvidos irão conseguir se livrar dos efeitos da crise financeira internacional.
A boa fase do Brasil, de acordo com Rocha, esteve ancorada no excesso de liquidez da economia internacional. Mas, segundo ele, o Brasil está vulnerável.
“O trabalhador conseguiu manter estabilidade no emprego, acesso ao crédito consignado, que também pôde ser obtido por aposentados e pensionistas”, salientou. Todo esse quadro foi possível graças ao movimento de entrada de capital externo tanto por meio de bolsas de valores quanto por investimento direto.
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No último dia 19, no entanto, o diretor do Banco Central, Altamir Lopes, informou que houve saídas de investimento estrangeiro em ações de empresas brasileiras que alcançaram US$ 6,065 bilhões em outubro, US$ 1,762 bilhão em novembro e US$ 480 milhões nos dados preliminares de dezembro. Quanto às aplicações em renda fixa, as saídas somaram US$ 300 milhões em novembro e US$ 250 milhões nas preliminares de dezembro.