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SÃO PAULO – Prazos longos e juros mais baixos. Os consumidores continuarão a encontrar crédito na praça com condições favoráveis. E continuarão buscando também.
Na reunião desta quarta-feira (20), o Banco Central deve manter a taxa básica de juro a 10,75% ao ano. Com a manutenção, o desempenho do comércio neste fim de ano vai além dos efeitos sazonais. A oferta de crédito continuará crescente e as condições favoráveis permitirão que os consumidores comprem mais neste Natal.
“Não estamos vendo nenhum obstáculo para o crédito crescer neste fim de ano”, avalia o gerente de Indicadores da Serasa Experian, Luiz Rabi. Para ele, a elevação da taxa básica de juro só deve ocorrer no início de 2011. “Mesmo que o BC antecipe o aperto monetário para dezembro, não haveria tempo de os efeitos desse ajuste prejudicar o crédito para o Natal”.
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O professor de Finanças da Fiap Marcos Crivelaro também acredita na manutenção da taxa neste mês. E confia até que a oferta de crédito cresça neste fim de ano. “O nível de inadimplência está aceitável e tem uma massa de dinheiro disponível”, afirma.
Fatores favoráveis
O forte crescimento da economia no início do ano e os indicadores positivos de emprego e renda ampliaram a capacidade de compra dos consumidores. E os efeitos sazonais do fim de ano só devem ajudar ainda mais a melhorar esse cenário.
Entram como um dos fatores favoráveis o pagamento do décimo terceiro salário. “O crédito sempre cresce no fim de ano devido ao décimo terceiro e às compras de Natal”, afirma Rabi. O dinheiro extra, avalia, é em grande parte destinado ao pagamento de dívidas, o que contribui ainda mais para o aumento da oferta de crédito.
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Com o risco de inadimplência em queda, a confiança dos bancos e do comércio em conceder crédito aumenta. E as possibilidades de compra para o consumidor também. “Há espaço para a diminuição, ainda que temporária, do valor das parcelas do crediário, e do aumento do número de parcelas”, comenta Crivelaro.
Cuidados
Para o professor, o comércio deve aproveitar o Natal para faturar mais. “Haverá muitas ofertas sem entrada e com muitas prestações”, afirma. Porém, o professor alerta: o que parece ser um bom negócio pode não ser tão vantajoso. “Um parcelamento acima de seis vezes pode prejudicar a capacidade de compra para o Dia das Mães do próximo ano. Parcelamentos maiores podem ser ainda mais prejudiciais”, diz.
A consultora financeira e autora de livros sobre finanças pessoais Eliana Bussinger dá a dica: o ideal mesmo é pagar à vista. “O problema do crédito é que os juros no Brasil ainda são muito altos”, diz. “Se você vai usar o crédito, você tem que ter consciência dos juros e procurar as taxas mais baixas”, recomenda.
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E na hora de parcelar, o melhor mesmo é evitar parcelamentos a perder de vista. “Se for para parcelar, parcele no menor prazo possível. Quanto mais rápido você pagar, melhor”, ressalta. Ela ainda lembra que os consumidores não podem esquecer das contas de início de ano.
Para aqueles que querem fazer um planejamento para pagar as compras à vista, a consultora afirma que a possibilidade de esse planejamento dar certo vai depender da situação financeira de cada um. “A pessoa precisa ver o nível do seu endividamento e os sacrifícios que ela está disposta a fazer”.
Crédito para consumo
A festa do crédito não deve terminar tão cedo, acreditam os especialistas consultados. Contudo, o ritmo de crescimento da oferta deve ser mais moderado, principalmente no próximo ano. “No início do ano pode haver um aumento da taxa básica de juros, independentemente do Governo que entrar”, avalia Rabi. “E ainda o mercado está revendo para cima as expectativas de inflação”.
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Esses fatores, aliados a um crescimento menos intenso da economia, devem fazer o crédito para o consumo crescer de maneira mais moderada. Já o crédito imobiliário, na avaliação do especialista, continuará crescendo em ritmo acelerado.