Conta de luz subiu 40% a mais que a inflação desde Plano Real

Desde o Plano Real os reajustes das tarifas de energia têm sido influenciados pelos custos não gerenciáveis que seguem dólar

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SÃO PAULO – Os gastos do consumidor com a conta de luz aumentaram 40% a mais do que a inflação desde o início do Plano Real, em agosto de 1994. No caso a inflação foi medida pela variação do IGP-M, já a afirmação é da própria Abradee (Associação das Distribuidoras).

Reajuste em linha com o dólar

As tarifas de energia elétrica no Brasil são determinadas pela soma dos custos das distribuidoras, sendo que parte destes custos é determinado pelos chamados gastos gerenciáveis, que seguem a variação do IGP-M, e parte pelos gastos não gerenciáveis, isto é, gastos que estão fora do controle da empresa, como impostos e encargos.

Também fazem parte dos gastos não gerenciáveis o custo da energia comprada de Itaipu, que está determinado em dólar, assim como os gastos com combustíveis por parte das termelétricas, que aumentam sempre que as hidrelétricas, por falta de água nos reservatórios, deixam de gerar energia como aconteceu antes e durante o racionamento.

Desde o Plano Real são os gastos não gerenciáveis que pesaram mais na determinação das tarifas de energia elétrica, de forma que as tarifas acabaram seguindo mais de perto o desempenho do dólar do que o da inflação. Esta situação se agravou ainda mais desde janeiro de 1999, quando o real sofreu forte desvalorização frente ao real.

O problema não termina aí, pois o próprio Governo estima que a entrada de novas geradoras no mercado, que fornecem energia a custos mais elevados, deve implicar em um reajuste das tarifas de cerca 45% nos próximos quatro anos.