Consumidor ganha com guerra entre varejistas e fornecedores

Redes como Pão de Açúcar e Carrefour ameaçam boicotar fabricantes; atitude impediu repasse maior para o consumidor

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SÃO PAULO – A forte valorização do dólar frente ao Real já começa a causar problemas nas relações entre os varejistas e os fornecedores. Isso porque, enquanto os fornecedores querem impor os reajustes gerados pela alta do dólar, os varejistas não querem repassar custos, para evitar uma queda nas vendas de final do ano, época em que tipicamente as vendas crescem expressivamente.

Faltando apenas dois meses para o Natal, as varejistas ainda não fecharam as suas encomendas para o final do ano. Itens essenciais para a Ceia de Natal, como o peru e o panetone, ainda não chegaram as principais lojas do país. A queda de braço entre fornecedores e varejistas acontece, principalmente, entre as grandes redes, acaba beneficiando o consumidor que tem sofrido reajustes menores.

Varejistas não aceitam aumentos

O Pão de Açúcar e o Carrefour ainda estão em fase de negociação com os fornecedores. O Carrefour, por exemplo, não aceitou os preços cobrados pelas fornecedoras de óleo de soja, produto bastante sensível à variação cambial, e decidiu importar um grande volume de produtos da marca argentina Coccinero.

A varejista francesa já avisou que se os preços dos panetones brasileiros também apresentaram reajustes muito elevados, de forma que pretende recorrer novamente aos produtos argentinos. O Pão de Açúcar, por sua vez, ameaçou colocar cartazes com os dizeres “Diga não a esse produto” naqueles produtos que apresentarem reajustes elevados, ou que estejam em falta nas prateleiras.

Outra estratégia das varejistas para conter os reajustes foi dar preferência as mercadorias menos conhecidas, em detrimento das marcas líderes. Nas gôndolas, os espaços privilegiados dos supermercados, marcas conhecidas como o café Pilão e achocolatado Nescau, estão perdendo o lugar para marcas como café Villa Rica e achocolatado Leo.

Fornecedores oferecem produtos mais baratos

Do outro lado, os fornecedores não querem abrir mão dos reajustes e estão vendendo as mercadorias em pequenas quantidades, o que já está provocando a falta de alguns itens nas prateleiras dos mercados.

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A fabricante de alimentos Sadia, por exemplo, registrou um crescimento de 35% no custo do produto vendido nesse terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Essa alta decorreu, principalmente, do aumento dos custos dos grãos, dos combustíveis e da energia.

Como as varejistas não estão aceitando os reajustes, as fornecedoras decidiram investir no mix de produtos para contornar o aumento dos preços e manter os volumes vendidos. A Sadia decidiu elevar a oferta de produtos mais populares, como a salsicha, no seu mix de produtos.

Consumidor sai ganhando

Na guerra entre fabricantes e varejistas o consumidor tem saído ganhando, porque o repasse dos aumentos dos custos de produção, tem sido apenas parcial. De forma que os preços sobem menos do que se os varejistas não tivessem se oposto aos aumentos.

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Esta diferença é facilmente verificada quando se analisa a diferença de variação nos preços ao consumidor e nos preços ao atacado. Com base nos dados da FGV para a inflação de outubro medida pelo IGP-M pode se constatar que, enquanto os preços ao atacado (IPA) registraram elevação de 5,62% os preços ao consumidor (IPC) subiram 0,91%. No acumulado dos últimos três meses, constata-se uma diferença ainda maior entre os dois, com o IPA subindo 12,7% e o IPC 2,51%.

Enquanto as fabricantes e as varejistas brigam, os consumidores podem aproveitar para pesquisar os preços e buscarem as melhores ofertas. Diante da aproximação das festas de final de ano, muitas famílias exageram nas compras, prejudicando os seus orçamentos. Com a boa oferta de preços, o consumidor pode aproveitar para economizar um pouco e começar bem o ano novo.

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