Consumidor adia consumo e prefere consertar bens duráveis e semi-duráveis

Juros altos e orçamento apertado têm dificultado troca de bens duráveis e semi-duráveis; procura por consertos aumentou

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SÃO PAULO – Apesar da queda dos preços nos últimos dois meses, o orçamento da maioria dos consumidores continua bastante apertado, o que tem forçado a grande maioria deles a simplesmente adiar seus sonhos de consumo, especialmente no que se refere aos bens duráveis e semi-duráveis.

Queda na intenção de compra

O recuo na intenção de compras foi constatado recentemente no levantamento da Fecomércio-SP (Federação do Comércio de São Paulo), onde cerca de 54% dos 900 entrevistados afirmaram que não pretendem comprar nenhum tipo de bem durável ou semi-durável nos próximos dois meses.

Além do medo de perder o emprego também contribui para esta situação o fato dos juros ao consumidor seguirem bastante elevados. O último levantamento da Anefac constatou que a taxa média cobrada nos crediários das grandes redes varejistas está em cerca de 6,7% ao mês.

Procura por consertos aumenta

Diante disto, muitas empresas especializadas no conserto deste tipo de bem têm constatado um aumento da procura por consertos. Segundo a Associação Nacional de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), no primeiro trimestre deste ano enquanto as vendas de televisores e aparelhos de som caíram quase 21%, a procura por consertos deste tipo de produto aumentou 20%.

Por outro lado os prestadores de serviço não têm do que reclamar e comemoram o aumento da procura. De acordo com o técnico da Lar-Tec Assistência Técnica, Paulo Prudente do Nascimento, a procura por consertos de eletrodomésticos aumentou até 15% no primeiro semestre.

Atuando neste segmento do mercado há quase vinte anos, Nascimento afirma que nunca viu tantos consumidores de classe média e alta procurarem este tipo de serviço. Segundo o técnico, o produto campeão de conserto é, sem dúvida, a máquina de lavar roupas, seguida da geladeira. Afinal, são produtos caros de custo médio ao redor de R$ 1 mil, que em geral são comprados através de crediário.

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Outro segmento que tem registrado forte crescimento de consertos é o de vestuário e calçados, que também acumula forte queda nas vendas neste ano, de cerca de 15%. A procura pelo conserto de sapatos e roupas se justifica, afinal consertar um sapato pode custar cerca de R$ 10, enquanto a compra de um novo pode chegar a mais de R$ 100, dependendo do modelo.