Publicidade
SÃO PAULO – Entre 2004 e 2007, aumentou em 117,6%, ou mais do que duas vezes, o total de dinheiro liberado aos consumidores em forma de empréstimos e financiamentos. Segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (26) pela agência classificadora de risco Austin Rating, o volume de operações passou de R$ 417,7 bilhões para R$ 908,8 bilhões.
A análise, assinada pelo economista-chefe da empresa, Alex Agostini, aponta para uma proporção atual de 34,3% na concessão de crédito em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). “As expectativas para o mercado de crédito continuam otimistas para o ano de 2008, com o volume das operações devendo ultrapassar a cifra de R$ 1,050 trilhão, e atingir um crescimento de aproximadamente 20% sobre o ano de 2007”, explicou Agostini.
Concessão em novembro
De acordo com o Banco Central, as concessões de crédito ao consumidor por meio de recursos livres atingiram R$ 50,061 bilhões no penúltimo mês de 2007, o que equivale a uma média diária de R$ 2,503 bilhões – avanço de 15,2% sobre novembro de 2006.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Na avaliação do economista-chefe da Austin, entre as modalidades de crédito, o destaque para o próximo ano deve continuar sendo o crédito pessoal, seguido pelo crédito imobiliário.
Conforme sua análise, parte do comportamento verificado nos últimos anos e provavelmente mantido no ano que vem é resultado dos seguintes fatores:
- recuperação da renda e do emprego no País – a renda real do trabalhador brasileiro recuou entre 16% e 22% (depende a pesquisa que for utilizada: Pnad ou PME), no período de 1998 a 2004, mas, em 2005 e 2006, ela cresceu 6,3%, e a estimativa é de novo crescimento em 2007, de algo em torno de 3,1%;
- “importante” queda da taxa de juros (o País experimentou o mais prolongado período de abrandamento da política monetária entre 2005 e 2007);
- desenvolvimento de novas modalidades de crédito com menor risco de inadimplência, como, por exemplo, os empréstimos consignados em folha de pagamento;
- realização de parcerias com empresas do setor varejista, inclusive no comércio eletrônico;
- farta liquidez internacional (recursos abundantes e com reduzidos custos e gastos de captação, com inúmeras realizações de IPOs – oferta pública de ações – por parte dos bancos médios);
- renovação dos contratos com prazo entre 24 e 36 meses.
Consignado
“As operações realizadas pelas pessoas físicas foram os impulsionadores no aumento do volume de crédito, com destaque para as operações com crédito consignado em folha de pagamento”, lembrou. Entre janeiro de 2004 e novembro de 2007, as operações realizadas pelas pessoas físicas cresceram 209,4%, passando de R$ 101,0 bilhões em dezembro de 2003 para R$ 312,5 bilhões em novembro último.
Continua depois da publicidade
Já as operações de crédito consignado passaram de R$ 9,7 bilhões em janeiro de 2004 atingindo a cifra de R$ 63,9 bilhões em novembro de 2007, apurando crescimento de 559% no período e passou a representar 57% dos empréstimos pessoais e de 20,5% de todo o volume dos empréstimos às pessoas físicas.