Com crédito fácil, Classe C/D compra mais da metade dos imóveis vendidos em SP

De acordo com o presidente do Creci-SP, tendência é que juros de financiamento fiquem cada vez menores

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SÃO PAULO – Por conta da maior facilidade ao crédito e da popularização do financiamento imobiliário, a classe formada por representantes das faixas de renda C e D foi responsável pela compra de mais da metade dos imóveis vendidos na capital paulista em março. Dentre casas e apartamentos, foram 2,6 mil unidades, das quais mais de 1,4 mil referentes a esses consumidores.

O dado consta em pesquisa divulgada pelo Conselho dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP). “Os bancos privados iniciaram uma concorrência direta, passou a ser interessante a concessão desse empréstimo”, disse o presidente da entidade, José Augusto Viana Neto.

Zona e classe

A análise do Creci-SP é feita com base na relação localidade/vendas.

A cidade é dividida em cinco zonas: A (bairros como Alto da Boa Vista, Cidade Jardim, Higienópolis, Jardim Paulista, Morumbi) , B (Aclimação, Água Branca, Paraíso, Vila Madalena, Vila Mariana), C (Aeroporto, Alto da Lapa, Cidade Universitária, Horto Florestal, Vila Romana, Tatuapé), D (Americanópolis, Barra Funda, Liberdade, Limão, Sapopemba, Tremembé, Tucuruvi) e E (Brasilândia, Campo Limpo, Capão Redondo, São Mateus, Vila Nova Cachoeirinha).

Cada zona leva a sigla correspondente ao poder aquisitivo dos moradores.

Veja, na tabela abaixo, a divisão de compras efetuadas, dentro de um universo de 2,6 mil imóveis – entre casas e apartamentos:

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Venda de imóveis em março
Zona Total Proporção
A 280 10,46%
B 718 26,81%
C/D 1.436 53,62%
E 234 9,11%

Fonte: Creci-SP

Crédito e juro

Dados do mercado embasam a afirmação de Viana. Na última terça-feira (15), a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) divulgou que, nos quatro primeiros meses do ano, a concessão de dinheiro para a compra da casa própria somou R$ 4,097 bilhões – 71,31% a mais do que no mesmo período de 2006.

No que diz respeito a barateamento do crédito, vale lembrar que, recentemente, o Bradesco anunciou ter reduzido os juros do crédito imobiliário com parcelas fixas de 14% para 12,5% ao ano. Com isso, a incidência mensal passou a ser de 0,98%.

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Tendência

Além disso, apesar de não voltado diretamente para as classes mais baixas*, há cerca de 15 dias o Conselho Curador do FGTS anunciou que a taxa do crédito seria reduzida de 10,16% ao ano para 8,66% anuais. O benefício foi direcionado a famílias com renda mensal entre R$ 3,9 mil a R$ 4,9 mil e que utilizarem recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

“A tendência é que sejam oferecidos cada vez mais produtos mais em conta. Por isso, é até bom que quem puder esperar um pouco para comprar, aguarde um cenário mais favorável”, aconselhou.

*De uma maneira geral, a Classe C/D vai de renda média de R$ 500 a R$ 1.050