Com alta do preço do gás para empresas, consumidor final é penalizado

Durante quatro anos, não houve reajuste algum nos preços do GLP. Em 2008, a Petrobras já promoveu três reajustes

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SÃO PAULO – Com a alta nos preços do GLP (Gás Liquefeito do Petróleo, conhecido como gás de cozinha) a partir desta terça-feira (1) para consumidores que utilizam o produto em botijões de 20, 45 ou 90 quilos, o Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) alerta para as conseqüências negativas da súbita escalada de reajustes.

Reajustes

De acordo com comunicado da Petrobras às distribuidoras, feito na segunda-feira (30), a alta de 5,3% é voltada para esses botijões e também para o gás vendido a granel, mas deixa de fora os botijões de 13 quilos.

“O grande problema é que, durante quatro anos, entre 2002 e 2007, não houve reajuste algum nos preços do GLP, ao mesmo tempo em que o preço do barril de petróleo passava de US$ 40 para US$ 100, aproximadamente”, explica o presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello.

“De repente, a Petrobras resolveu aumentar tudo de uma vez. Em 2 de janeiro, o reajuste foi de 15% na refinaria. Em 1º de abril, de 10%, e ontem, de 6%. No total, dá 34%, em seis meses, em uma cenário inflacionário de 5% ao ano. É um desgaste muito grande para as empresas distribuidoras juntos a seus consumidores”.

Quem perde com tudo isso? Mais uma vez, o consumidor final. Isso porque as empresas dependem do GLP, desde padarias até siderúrgicas. “Quem paga a conta no final é o consumidor final, pois as empresas tentarão repassar o aumento dos custos aos preços dos produtos. Ou seja, o pãozinho ficará mais caro”, exemplifica.

Alerta para acidentes

Mello afirmou que o sindicato está muito preocupado com o que essa diferenciação de preços (entre as embalagens de 13 quilos e as maiores), por conta do alto risco de acidentes, uma vez que o usuário do cilindro de 45 quilos fará o possível para não pagar tão caro pelo gás.

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Ele deu um exemplo claro: os condomínios mais modernos possuem central de gás no térreo, tendo de comprar embalagens maiores de gás, para abastecer todos os apartamentos. Com o aumento nos preços que não atinge os botijões de 13 quilos, entretanto, as pessoas comprarão vários botijões de 13 quilos, no lugar de comprar a embalagem adequada. Mas a instalação não foi criada para botijões pequenos.

“As pessoas começarão a fazer gambiarras em instalações que não entendem, o que aumenta o risco de acidentes”, avisa, ao lembrar que não compreende a “artificialização” nos preços do GLP. “O GLP tem um alcance social muito importante, atingindo 100% dos municípios e 95% das residências. Esses reajustes precisam ser discutidos com mais cautela”.