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SÃO PAULO – Nos últimos meses, o consumidor tem sentido no bolso o peso do aumento da inflação, esta última impulsionada em grande parte pelo aumento dos chamados preços administrados, como a gasolina, os gastos com energia, e por último as tarifas telefônicas.
Inflação e impacto no orçamento
Mas como explicar que se olharmos a inflação medida pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) a alta nos preços entre janeiro e junho é de apenas 1,20%? Variação esta que se baseia na inflação medida pelo IPC entre janeiro e maio, acrescida da prévia para o mês de junho.
Estes números confundem o consumidor, que no dia a dia, sente um impacto mais significativo no seu orçamento, e uma perda significativa de poder aquisitivo. A razão para estas diferenças reside no fato de que os índices de inflação que você está acostumado a ouvir falar (IPC, IPCA, IGP etc.) acompanham a variação nos preços de um conjunto de produtos e serviços específicos, que podem não ser os mesmos que você consome.
Além disso, alguns índices atribuem maior peso às variações de preço de tarifas públicas (luz, energia elétrica, tratamento de água etc.), enquanto outros dão maior ênfase às variações de preço de alimentos, moradia, ou ainda transporte.
Para que o aumento de suas despesas fosse exatamente igual à variação dos índices de inflação, seria preciso que a distribuição de suas despesas fosse igual ao peso atribuído a esse tipo de gastos na construção dos índices, e que os produtos que você e a sua família consomem sejam os mesmos que os utilizados na coleta dos índices. Como é quase impossível que isso aconteça, fica fácil entender porque o aumento das despesas da sua família nunca será igual à variação dos índices de inflação oficiais.
Gastos da classe média subiram muito mais
Para o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), por exemplo, os gastos das famílias com renda média de R$ 2.800 subiram cerca de 2,53% entre janeiro e maio deste ano, muito acima, portanto, do aumento dos preços medido através do IPC. Neste mesmo período a inflação medida pelo IPC é de apenas 1%, refletindo o aumento nos custos das famílias com renda entre dois e seis salários mínimos, isto é, entre R$ 400 e R$ 1.200.
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Se considerarmos o aumento dos preços para as famílias com renda de até R$ 380, ou cerca de 1,9 salários mínimos, o aumento do custo de vida até maio foi de 1,85%, enquanto para as pessoas com renda de R$ 950, ou cerca de cinco salários, sofreu um aumento nos custos de 1,91%.
Na visão da técnica do Dieese, Cornélia Nogueira Porto, a diferença reflete a composição dos gastos das famílias em cada uma destas faixas de renda. Enquanto, nas famílias de maior poder aquisitivo os gastos com combustíveis, e aumento das tarifas telefônicas tem um impacto maior, do que nas famílias de menor poder aquisitivo.
Para o Dieese não foi apenas o aumento dos preços administrados, que afetou o orçamento da classe média, o reajuste das escolas e planos de saúde, são outros dos itens que contribuíram para o aumento mais significativo dos custos da classe média. Por outro lado, na visão do Dieese os aumentos dos remédios pesam mais no orçamento das famílias com menor poder aquisitivo.
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Agora que você já entendeu melhor a diferença entre a inflação e o impacto no seu orçamento vale a pena ficar mais atento no controle do orçamento. Até porque a Fundação Fipe, responsável pela elaboração do IPC já anunciou que os recentes aumentos nos preços administrados devem pressionar ainda mais os preços nos meses de julho e agosto, quando acredita-se que a inflação medida pelo IPC possa chegar aos 0,65%.
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