Cesta básica subiu em média 22,7% em 2002

Maior reajuste foi em Salvador (31,50%), já o Rio de Janeiro registrou menor reajuste (16,16%); preços devem desacelerar em 2003

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SÃO PAULO – O Dieese, Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos, divulgou nesta segunda-feira (06/01) alguns dados sobre o aumento do custo médio da cesta básica, comparando a evolução de preços entre alguns estados e cidades.

Rio de Janeiro teve menor reajuste

O estudo que tomou como base a evolução dos preços da cesta básica em 16 capitais do país apontou um aumento médio dos preços de 22,7% durante o ano passado, sendo que os maiores aumentos foram registrados em Salvador (31,50%), Goiânia (29,53%), Natal (28,14%), Aracaju (26,42%) e Porto Alegre (25,11%).

Em contrapartida, o menor reajuste foi praticado na cidade do Rio de Janeiro, onde os preços subiram 16,16% em 2002. Em seguida ficaram Florianópolis (16,27%), Vitória (16,29%), Brasília (16,40%) e Curitiba (16,46%). Assim sendo, nos últimos 12 meses a cesta básica registrou aumento em todas as capitais do país, sendo que em 11 delas o aumento superou os 20%. Finalmente, na cidade de São Paulo registrou uma variação positiva dos preços de 23,43%.

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Maior custo foi em Porto Alegre

Entre as capitais pesquisadas em dezembro, Porto Alegre foi a que apresentou o maior valor para a cesta básica, atingindo R$ 164,05, aliás esta foi a única capital em que o preço da cesta básica superou os R$ 160 dentre as capitais analisadas.

Em outras três capitais o custo da cesta básica ficou acima de R$ 150 no mês de dezembro, como é o caso de São Paulo, cujo preço da cesta básica atingiu R$ 158,73, Curitiba onde a cesta básica foi vendida por R$ 152,18 e Belo Horizonte cujo custo da cesta foi de R$ 150,94. No Rio de Janeiro a cesta básica fechou o ano passado custando cerca de R$ 146,59.

Em apenas cinco capitais o custo médio da cesta básica ficou abaixo de R$ 130, sendo que todas elas se encontram na região Nordeste do país, como é o caso, por exemplo, de Fortaleza (R$ 119,39), João Pessoa (R$ 120,78), Natal (R$ 124,65), Recife (R$ 124,81) e Salvador (R$ 126,99).

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Dólar foi maior vilão

Dentre os produtos que registraram a maior variação positiva no ano passado, a maioria foi influenciada pela alta do dólar, como é o caso, por exemplo, do óleo de soja (72,37%), da farinha de trigo (71,43%), açúcar (68,29%) e do pão francês (42,27%).

Em decorrência do forte reajuste dos preços no ano passado, o custo médio da cesta básica (22,7%) subiu bem mais do que o salário mínimo (11,1%), que no ano passado foi reajustado para R$ 200. Ainda assim, no ano passado os brasileiros gastaram o menor percentual do salário mínimo para comprar a cesta básica dos últimos 14 anos.

A queda dos gastos com a cesta em relação ao valor do salário mínimo só foi possível devido ao fato do salário mínimo ter registrado um ganho real, isto é, acima da inflação, de 23% desde 1995.

Preços devem desacelerar

Apesar disto, o economista do Dieese, José Maurício Soares, acredita que os preços devem dar sinais de desaceleração no início de 2003. O economista lembra que esta tendência já pode ser verificada no mês passado em algumas cidades, como é o caso do Rio de Janeiro, onde o custo da cesta básica recuou 0,99% em dezembro.

Além disto, em quatro capitais do país a variação dos preços da cesta básica ficou abaixo de 2% no mês de dezembro, enquanto em outras três capitais os preços subiram menos do que 3%. Por sua vez, os preços do pãozinho e da farinha de trigo recuaram, respectivamente, em quatro e três capitais. Na opinião de Soares, a combinação da desvalorização do dólar, que nesta segunda-feira caiu para R$ 3,35, e a entrada de produtos agropecuários devem contribuir para a queda do custo médio da cesta básica.