Cerca de 75% da população em condição de miséria vive em economias médias

Como condição de miséria classificam-se as pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia, diz estudo

SÃO PAULO – Em torno de 75% da população em condição de miséria vive em economias médias, segundo revela o estudo “E se Três Quartos dos Pobres do Mundo Viverem em Países de Renda Média?”, conduzido por Andy Summer, do Instituto de Estudos sobre Desenvolvimento do CIP-CI (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), órgão do Pnud, em parceria com o governo brasileiro.

Como condição de miséria classificam-se as pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia. De acordo com o estudo, em 1990, cerca de 93% das pessoas nesta situação viviam em economias frágeis. Hoje, este número caiu para 23%.

“É uma mudança surpreendente em um curto período. Isso significa que, mesmo que o Objetivo do Milênio número 1 fosse plenamente atingido por todos os Estados com economia frágil ou que enfrentam alguma guerra, ainda teríamos 900 milhões de pessoas pobres vivendo nos países estáveis e com rendimento médio”, diz o estudo, de acordo com agência PrimaPagina.

Mudanças
Atualmente, o PIB per capita que define se um país está acima da linha da pobreza ou não é de US$ 995. Nos últimos 20 anos, uma série de países ultrapassou esta linha, mas apenas uma pequena parcela de sua população saiu da situação da pobreza.

Por conta disso, a constatação levanta questionamentos sobre a classificação das nações de acordo com o PIB per capita, adotada desde o início dos anos 1970 pelo Banco Mundial.

“Crescimento sem transformação social, econômica ou política é um ponto de partida para explicar a persistência de altos níveis de pobreza absoluta nos países de renda média. Quando se faz uma análise desse grupo, mudanças no emprego agrícola são evidentes, mas, surpreendentemente, há poucas alterações na desigualdade e nas receitas fiscais”, acrescenta o estudo.