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SÃO PAULO – Comprar um celular hoje em dia é uma tarefa provavelmente mais difícil do que escolher um carro zero quilômetro. Ao contrário do que ocorre na compra de outros bens, a decisão envolve múltiplas escolhas, o que acaba deixando o consumidor perdido.
É preciso escolher a operadora, o modelo, a tecnologia, os serviços. Para piorar a situação, é quase impossível fazer uma comparação efetiva de preços e condições de pagamento, porque os modelos nunca são exatamente iguais. Assim, é como escolher se vale mais a pena comprar uma dúzia de bananas a R$ 5,06, ou um 1kg de pêssego a R$ 3,20. É impossível comparar e, no final das contas, a escolha vai depender daquilo que você quer comer.
Cuidado com roaming!
Neste contexto, a primeira coisa que é preciso entender é que tipo de usuário você é. Você é daqueles que não acredita que pudesse haver vida interessante antes do celular? Usa o aparelho mais para jogar do que efetivamente para receber chamadas?
Viaja para todo o Brasil e precisa estar sempre conectado? Faz parte do grupo que acredita ser mais econômico ter um celular que manter uma linha fixa? Ou simplesmente tem um aparelho porque acredita que às vezes, em algumas situações, ele pode ser útil.
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A definição do tipo de usuário é importante, pois irá determinar a operadora, os serviços, e o plano de pagamento que mais se encaixa a sua realidade. Por exemplo, para quem mora no Nordeste, e viaja pouco, usar a Oi como operadora pode ser interessante. Porém, para quem mora na mesma região, e viaja muito a trabalho para o Sudeste, a situação muda, pois nesta região a operadora somente oferece seus serviços através de roaming, o que custa mais.
Assim, o primeiro cuidado é definir onde pretende usar o celular, de forma a escolher uma operadora atuante nesta região, ou caso não esteja, que ofereça custos mais atrativos nas ligações que necessitam de roaming.
Tecnologia e serviços
Uma vez escolhida a operadora, você já sabe com qual tipo de tecnologia poderá escolher. Isso porque a maior parte das operadoras dá preferência a um tipo de tecnologia frente ao outro. Ainda que cada padrão tecnológico tenha suas vantagens e desvantagens, a maioria dos analistas concorda que eles são bastante equivalentes.
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Dentre as opções disponíveis, há quatro padrões: CDMA, GSM, TDMA e AMPS. No Brasil, a tecnologia mais utilizada é a CDMA, que é adotada pela Vivo, a maior operadora do país em termos de usuários, e responde por 41% dos aparelhos do país. Para uma discussão mais detalhada sobre as tecnologias, clique aqui.
Com relação aos serviços oferecidos, a gama é cada vez maior, mas é preciso cautela para não contratar serviços que você não pretende usar, ou que já são oferecidos gratuitamente nos planos de pagamento pós-pago, por exemplo.
Os serviços mais comuns incluem, agenda, caixa postal, bloqueio de DDD/DDI, desvio de chamadas, downloads, identificador de chamadas, e-mail, mensagens em vários formatos, recebimento de notícias, serviço de conferência telefônica, acesso à internet através da tecnologia wap, etc. Isso sem falar nos serviços de localização de outros usuários, ou de locais e serviços específicos, etc.
Pré ou pós-pago?
Segundo a Anatel, o sistema de pagamento preferido do brasileiro é, sem dúvida alguma, o pré-pago. Em outubro, cerca de 80% dos aparelhos do país adotavam este tipo de plano. Neste tipo de serviço você carrega o seu celular para uso por um período determinado de tempo, 12 horas, 24 horas, etc. Alguns planos oferecem tarifas mais baixas para quem contratar ligações somente para o dia ou para a noite, por exemplo.
A maior vantagem do pré-pago, que vem sendo usado em substituição ao telefone fixo, é que você consegue controlar de maneira mais eficiente os seus gastos com celular, o que evita surpresas no final do mês. Porém, as tarifas por minuto tendem a ser mais altas do que aquelas oferecidas nos planos pós-pagos.
Para quem não vive sem celular, e contrata a maioria dos serviços, o plano pós-pago pode ser interessante, pois permite uma maior personalização dos serviços. É possível, por exemplo, contratar um pacote fixo de 60 a 900 minutos por mês, a um custo por minuto inferior ao oferecido nos planos de pagamento pré-pago.
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Nos pacotes de minutos, em geral são oferecidos gratuitamente os serviços de identificador de chamada, caixa postal, chamada de espera, etc. Para os pacotes maiores, com mais de 120 minutos, as vantagens são ainda maiores, e incluem, por exemplo, o uso da mesma tarifa nas ligações em roaming.
Considerando que o adicional por ligação em roaming pode implicar em um aumento de custos de mais de 70% do valor da tarifa normal, é preciso analisar com cuidado com que freqüência e aonde você pretende usar o celular antes de efetivamente optar por um ou outro plano de pagamento.
Aparelho cabe no orçamento?
Mas, com o preço dos celulares nas alturas, você também precisa considerar se o aparelho que está comprando não só atende às suas necessidades, mas também se encaixa no seu orçamento. Um celular completo e avançado pode custar quase o mesmo do que um computador, de forma que ter os dois pode ser impossível, e você precisa ver o que é mais prioritário.
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Portanto, analise com cuidado o que o preço que está sendo oferecido inclui em termos de serviços. Você vai poder contar com uma câmara digital, com agenda, com identificador de chamada, acesso a web? Todos esses serviços custam e implicam em enormes variações de preços nos aparelhos, portanto, compre somente aquilo que efetivamente for usar.
A tecnologia avança tão rápido que muitas vezes é melhor esperar um pouco mais, até que esteja testada, e o preço cobrado seja menor. Você lembra quanto custava um DVD quando foi lançado? Quem esperou alguns meses conseguiu fazer uma boa economia.
Com celular é a mesma coisa, se você ainda não precisa do serviço, espere até quando efetivamente for usá-lo. Até lá, a qualidade oferecida pode ter melhorado, ou o custo caído. Nunca comprometa mais do que 30% do seu orçamento com gastos relacionados a celular, o que inclui, além da prestação, os gastos com o plano que contrata.