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SÃO PAULO – Desde 1999 a combinação de forte desvalorização do real e maior instabilidade política, tanto no Brasil quanto no exterior, parece ter contribuído para uma queda nos gastos dos brasileiros com cartão de crédito no exterior. Pelo menos é o que indicam os dados de uma pesquisa recente da Credicard, maior emissora de cartões de crédito do país.
Gastos no exterior respondem por 3% do total
De acordo com a pesquisa, os gastos de brasileiros no exterior caíram de 11,4% dos gastos totais em 1997 para 5,7% em 1999, ano em que a maxi-desvalorização do real frente ao dólar reduziu dramaticamente o poder aquisitivo dos brasileiros no exterior. Desde então, este percentual caiu ainda mais e, no momento, se encontra em apenas 3% dos gastos totais.
Apesar disto, em valores absolutos os gastos com cartão no exterior acabaram ficando praticamente estáveis desde 1999, ao redor de R$ 2,2 bilhões, frente aos R$ 3,5 bilhões gastos em 1998, ano anterior à maxi-desvalorização do real. Já em termos de número de transações, pode-se verificar uma queda de quase 61% no número de transações entre 1998 para 1999, que passaram de 24,2 milhões em 1998 para 9,5 milhões em 1999, desde então o número de transações caiu para 8,4 milhões em 2001. Já o dólar médio entre 1998 e 2001 subiu de R$ 1,16 para R$ 2,35, o que equivale a uma alta de 103%.
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Estrangeiros gastam mais no Brasil
Ainda que menos acentuada, pode se verificar uma tendência inversa no que se refere aos gastos de estrangeiros com cartão de crédito no Brasil, que subiram de 2,6% dos gastos totais em 1997 para 3,1% em 2001. Em termos absolutos o crescimento é mais expressivo com os gastos de estrangeiros passando de R$ 835 milhões para R$ 1,82 bilhão entre 1998 e 2001.
Apesar da forte alta do dólar frente ao real no período, o que favoreceria o crescimento deste tipo de transação, a combinação de crise energética, crise na Argentina, e por último os atentados terroristas nos EUA, acabaram diminuindo o fluxo de turistas no país em 2001. O número de transações, porém, aumentou, passando de 7,2 milhões em 1998 para 8,9 milhões em 2001.
Apesar da queda do número de turistas argentinos, a expectativa do setor é de que em 2002 o volume de transações de estrangeiros no Brasil aumente cerca de 13,7% com relação ao ano anterior, ficando em R$ 2,1 bilhões. Em contrapartida, os gastos de brasileiros no exterior devem crescer bem menos, apenas 1,1%, chegando aos R$ 2,3 bilhões. As expectativas foram feitas pela Credicard com base em um câmbio médio de R$ 2,56 para o ano de 2002.