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SÃO PAULO – “Hoje, o brasileiro tem mais condições e, com a melhoria de renda e mais dinheiro no bolso, ele vai às compras. Só depois de conquistar os sonhos de consumo é que ele passa ao processo de poupança”.
A avaliação é da gerente de marketing e comunicação da Latin Panel, Patrícia Menezes, ao comentar estudo divulgado pela empresa que revela que 74% dos brasileiros não têm o hábito de poupança e, entre os 26% que o fazem, quase a metade poupa apenas até 10% da renda.
A pesquisa analisou os hábitos de poupança de moradores de grandes capitais em 16 países da América Latina. “Esse costume de poupar pouco não acontece apenas no Brasil. Em outros países avaliados pela pesquisa, com baixíssima infra-estrutura, não é muito diferente”, revelou Patrícia.
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Processo longo
Nos últimos anos, com a estabilidade econômica, melhoria de renda e acesso ao crédito, houve uma expansão da classe média brasileira, com a inserção de novos brasileiros ao mercado consumidor. “E são essas pessoas que buscam, acima de tudo, comprar o que sempre quiseram, mas não tinham condições de fazê-lo”, afirma Patrícia.
Para a gerente de marketing, reverter o quadro e conscientizar a população brasileira quanto à importância da poupança são um processo longo, já que, com melhores condições financeiras, o brasileiro “tem sede de conquistas básicas e materiais, como um teto e alimentação”.
Nem crise muda pensamento
Segundo Patrícia, nem a crise de crédito deve mudar o comportamento do consumidor, principalmente daqueles de renda mais baixa. “Os brasileiros de classes mais altas têm mais consciência com relação à crise, pois sentem diretamente no bolso. As classes mais baixas, no entanto, sempre se viraram com o que tinham e não devem sentir tanto”, explica.
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Para ela, esse brasileiro só muda de comportamento quando a questão atingir diretamente sua forma de ganhar dinheiro, ou seja, seu emprego. “Enquanto não houver mudança no cenário de empregabilidade, o brasileiro não vai parar de comprar”, conclui.