Brasileiras ricas não precisam mais viajar para fazer compras

Mulheres endinheiradas podem obter as mesmas mercadorias vendidas em NY e Paris em lojas abertas nas capitais brasileiras

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SÃO PAULO – Os endinheirados brasileiros não têm do que reclamar. Principalmente suas mulheres e filhas, que a cada ano ganham novas opções para as compras nas principais capitais do Brasil. Se antes era preciso ir a Nova York ou Paris para renovar o guarda-roupa, agora a maioria das coleções de grandes nomes pode ser encontrada em lojas de luxo em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Trata-se de um mercado que vem crescendo numa trajetória alucinante, para alegria das consumidoras, e principalmente dos empresários do setor. As mais famosas grifes mundiais já possuem endereços nas badaladas ruas e shoppings das duas capitais. Nas cidades fora do eixo, as peças podem ser facilmente compradas em lojas multimarcas, voltadas para as mulheres da elite local.

Mercado interno

Apesar da maior parte das mercadorias serem importadas, há quem veja com bons olhos a instalação de lojas de luxo nas cidades brasileiras. Antigamente, para adquirir modelos caros e de bom acabamento era necessário tomar um avião e ir para fora do Brasil. Com a abertura econômica, ano após ano o país assistiu a uma enorme invasão de templos do consumo de luxo. Prova disso é a presença do Espaço Lundgren no Rio, e da superloja de departamentos Daslu, em São Paulo, que não perde para nenhuma maison parisiense.

Além de gerar emprego e abastecer a clientela exigente, as grifes internacionais estimulam a criação de uma cultura de moda no Brasil. Um dos impactos positivos é a ascensão de dezenas de estilistas brasileiros, que competem diretamente com as grandes figuras da moda internacional, como Versace e Armani.

Mesmo aqueles que consideram tudo isso um despropósito não podem deixar de levar em conta que esse mercado movimenta uma soma de dinheiro elevadíssima. Apenas uma loja tem um potencial de faturar mais de US$ 10 milhões num único ano. Isso porque as peças apresentam um preço médio extremamente alto. Os vestidos, por exemplo, custam entre R$ 2 mil e R$ 15 mil. Alguns podem chegar a R$ 40 mil. E gente para comprar é o que não falta.

Além disso, a confecção (mesmo pagando baixos salários) emprega uma grande quantidade de mão-de-obra e afeta direta ou indiretamente outros setores da economia. Numa temporada de desfiles, cada look (correspondente a apenas uma volta de um modelo na passarela) custa no mínimo R$ 5 mil. Em algumas ocasiões pode custar R$ 100 mil, dependendo do cachê da modelo e da produção. Somando todas as entradas, já dá para imaginar o quanto é gasto nesse tipo de evento.

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De olho na alta costura

Os jovens estilistas, como a paulistana Karlla Girotto, que estão entrando agora para esse mercado disputado, apostam nas peças de luxo para obter sucesso. Como os custos variáveis de produção são altos, as peças mais simples possuem uma margem de lucro muito baixa. Para ganhar dinheiro, portanto, é preciso vender um volume muito grande de peças. Dessa forma, uma estratégia é focar no segmento mais abastado, com renda suficiente para gastar entre R$ 1 mil e R$ 5 mil numa única peça.

Apesar de todo o mito e extravagâncias desse mundo, são poucos os que de fato obtêm êxito com a indústria da moda. O glamour é muito maior que do as receitas do fluxo de caixa. Com gastos altos e pouca experiência empresarial, estilistas pouco consagrados e sem o apoio de grandes grupos econômicos sofrem demais para se manterem de pé no mercado.

Ainda no meio de toda a adversidade, a moda representa um nicho bastante promissor para a economia brasileira. As consumidoras de alto poder aquisitivo já contam com um maior acesso a nomes internacionais, e menor preconceito em relação aos designers brasileiros. Tudo isso está contribuindo para o crescimento desse mercado e a consolidação do Brasil como uma dos pólos emergentes da moda mundial.

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