Brasil já tem quase 1,3 mi de veículos à GNV. Mudança é viável para o bolso?

Diferença pode chegar a 70%, mas é necessário avaliar o custo da conversão e ver se o investimento vale a pena

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SÃO PAULO – Mesmo com as notícias de uma possível falta de gás natural no País, a população continua convertendo os veículos para o uso de gás natural veículos (GNV), principalmente em razão da economia.

Segundo dados do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), o número de conversões já ultrapassa os 225 mil no acumulado de janeiro a outubro de 2006. O número já é 4% superior ao registrado em todo ano de 2005, que contabilizou 216.336 conversões no período.

Os números do GNV no Brasil

De acordo com o IBP, o País conta hoje com uma frota de 1,27 milhão de veículos movidos a gás natural veicular. Deste total, 41% estão no estado do Rio de Janeiro e 25% em São Paulo. Minas Gerais, Santa Cataria e Bahia vêm na seqüência, com 5%, 4% e 4% dos veículos. As demais unidades da federação ficam com os 21% restantes.

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Em termos de conversões mensais, o Rio de Janeiro também ficou com a maioria dos carros convertidos em outubro deste ano: 51% do total. São Paulo veio na seqüência, com 22%.

O impacto da conversão no bolso do motorista

O motorista que converte seu carro de combustível comum pra GNV (Gás Natural Veicular) economiza mesmo no abastecimento? O automóvel sofre valorização quando passa por esse processo? Estas são algumas das perguntas que passam na cabeça de quem pensa em submeter o veículo à mudança.

Segundo Antonio José Teixeira Mendes, coordenador técnico da ABGNV (Associação Brasileira de Gás Natural Veicular), a economia pode chegar a 70% dos custos com gasolina quando se passa a usar o gás.

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Para Mendes, uma conversão que atenda as exigências do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) em carros fabricados antes ou até 1998 sai por cerca de R$ 3,2 mil.

Os veículos mais novos, principalmente a partir dos modelos 2001, necessitam, para conservar o padrão tecnológico, de um sistema mais sofisticado que o de aspiração, utilizado no caso anterior. Assim, a instalação do kit de injeção a pressão positiva de gás custa, em média, R$ 5,5 mil.

Na ponta do lápis

Num cálculo hipotético, para saber se o investimento da conversão vale a pena, faça as contas e compare:

Tomando como base o preço médio nacional da gasolina na semana encerrada em 09 de dezembro, calculado pela ANP, de R$ 2,52 por litro, o motorista acima gastaria R$ 252,00 de gasolina por mês. No caso do GNV (R$ 1,26 metro cúbico), considerando que o veículo percorra a mesma distância com um metro cúbico do combustível (10 km), o motorista gastaria R$ 126,00 por mês, ou seja, 50% a menos.

Considerando uma economia de R$ 126,00 por mês, no ano o motorista deixará de gastar R$ 1.512,00. Para ter de volta o gasto de instalação do kit GNV, o motorista teria de esperar pouco mais de 25 meses, caso o ano do carro seja anterior a 1998. Para veículos mais novos, o prazo seria de quase 44 meses.

Coloque na balança todos esses fatores, antes de decidir se o investimento vale a pena. Além disso, avalie as condições de abastecimento. De acordo com o IBP e dados da Abegás, em outubro o País contava com 1320 postos com GNV, sendo 434 no estado de Rio de Janeiro e 358 em São Paulo.