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SÃO PAULO – O aumento no salário mínimo, em março, contribuiu para o crescimento das vendas no varejo. Segundo o economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo, esse aumento impactou de forma positiva na renda das classes mais baixas, e contribuiu para o aumento do consumo.
“O impacto do salário mínimo também fez com que a renda das classes mais baixas aumentasse. Isso possibilitou que um grande número de pessoas entrasse no mercado consumidor”, afirmou durante o 1º Seminário Semestral da associação sobre as expectativas para o segundo semestre deste ano.
Solimeo aponta que a maior adoção do cartão de crédito por essas pessoas também contribuiu para o aumento do consumo, mas afirma que o aumento da renda não acompanha o aumento da massa salarial, que cresce com a maior oferta de emprego.
Risco da inadimplência
Para o segundo semestre deste ano, o economista alerta para o risco que a inadimplência representa para o setor. “Há um crescimento do crédito muito acima da massa salarial, se isso continuar, teremos problemas sérios”, afirma. De acordo com ele, a inadimplência deve aumentar nos próximos meses, mas não de forma explosiva.
A inflação também pode influenciar de forma negativa o setor, já que a alta nos preços é mais forte em alimentos. Solimeo explicou que, com quase todas as categorias atingidas, o consumidor fica impossibilitado de substituir o produto por um outro que não tenha tido aumento no preço, e sua renda é comprometida de qualquer maneira.
Com isso, a previsão para o varejo, em 2009, ainda é de crescimento, mas em um ritmo menor do que o apresentado neste ano. Para o economista, os setores de informática, celulares e veículos devem continuar crescendo em ritmo forte, enquanto alimentos, irá sofrer mais com as vendas.