Aumento da renda melhorará seletividade e planejamento financeiro da classe C

Compras da classe C tendem a ser direcionadas pelo que se encaixa no estilo de vida, e não pelo valor das parcelas

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SÃO PAULO – O aumento de renda da classe C e sua maior entrada no mercado de consumo promoverá mudanças tanto no tipo de gastos dessa faixa da população quanto em seu modo de pensar o orçamento e o planejamento financeiro. De acordo com o professor da BSP (Business School de São Paulo), Gilberto Guimarães, os integrantes dessa classe caminham para um perfil mais seletivo e consciente de suas possibilidades de consumo.

Guimarães explica que o atual aumento da renda média da classe C tem provocado o esgotamento do mercado de consumo de produtos mais básicos para essa faixa de consumidores. “A maioria das pessoas já possui, por exemplo, os produtos da linha branca, como fogões e geladeiras”.

“Por isso, se o consumidor da classe C continuar ganhando mais, não vai comprar outra geladeira, mas vai procurar agora por outros produtos que deseja possuir. Ele vai se tornar mais seletivo nas suas compras”, continua o professor.

Informação ainda é escassa

Entretanto, segundo Guimarães, ainda existe um problema: a relação entre os consumidores da classe C e os vendedores ainda é assimétrica. Quem vende ainda possui muito mais informações sobre os produtos do que quem compra. “A classe B, geralmente, vai a uma loja comprar um computador, por exemplo, com muita informação sobre os modelos e sobre o que quer. O consumidor classe C ainda é um deslumbrado”.

E, por não deter ainda conhecimentos sobre aquilo que quer comprar, sobretudo os produtos de tecnologia mais avançada, esse consumidor ainda é prejudicado no ato da compra, e suas escolhas acabam sendo restringidas.

“O que as empresas e os empresários têm de pensar agora é como fazer essas informações chegarem de forma eficiente para a classe C. Atualmente, o que obtém os melhores efeitos é o que chamamos de marketing viral, ou seja, o consumidor não compra algo movido pelo que viu na propaganda ou na novela das oito, e sim porque alguém em quem ele confia recomendou uma marca”.

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Educação financeira

Para Guimarães, as transformações não vão mudar apenas o comportamento do consumidor na hora da compra, mas também no modo como ele planeja o que vai comprar. “O mercado de consumo não cresce mais com base no ‘ter’ ou no poder aquisitivo. Hoje, por exemplo, a classe B não escolhe mais seus produtos para mostrar que tem condições, e sim por questão de estilo, para consumir produtos que se identifiquem com seu padrão de vida”.

Isso tende a acontecer também com a classe C, conforme prevê o professor. “A educação financeira vai aparecer no cotidiano desses consumidores, à medida que eles não vão mais escolher produtos apenas com o critério do ‘cabe no bolso’, endividando-se apenas segundo o valor das parcelas, e sim pelo que se encaixa em seu estilo social”, conclui.