Aumenta parcela da baixa renda que usa crédito; valor do empréstimo diminui

Levantamento do Instituto Fractal mostrou que, em 2006, 29% da baixa renda já haviam tomado crédito, ante 31,5% em 2008

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SÃO PAULO – A participação da população de baixa renda no mercado de crédito cresceu nos últimos dois anos, enquanto a parcela do empréstimo diminuiu.

De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Fractal, 29% das pessoas de baixa renda já haviam tomado crédito em 2006, proporção que subiu para 31,5% este ano. “A baixa renda é uma grande tomadora de crédito porque tem uma demanda reprimida, ela precisa comprar de tudo”, disse o diretor-presidente da Fractal e professor da USP, Celso Grisi.

Ele explicou que houve uma ascensão de classes sociais nos últimos anos. “As pessoas pobres estão menos pobres e passaram a comprar mais alimentos, gastar mais com eletrodomésticos, eletroeletrônicos, vestuário, veículos, produtos farmacêuticos e com a casa”. Foram ouvidas 3.263 pessoas na edição de 2006 da pesquisa e 3.264 na de 2008.

Empréstimos

O valor médio gasto com a parcela mensal do empréstimo bancário caiu nos dois anos analisados. Em 2006 era de R$ 114,8 e foi para R$ 107,7. No cartão de crédito, também houve queda, de R$ 122,9 para R$ 122 no valor da fatura. Em parcela de empréstimo obtido em financeira, a diminuição foi de R$ 90,4 para R$ 88,9.

Os dados ainda revelaram que a maior parte das pessoas que fizeram empréstimo em 2006 havia feito apenas um, com 60,1% dos entrevistados que apontaram esta alternativa. Em 2008, a proporção de quem havia feito apenas um empréstimo diminui para 49%, mantendo-se como maioria.

O que impressiona na pesquisa é que a quantidade de pessoas que não sabem qual a incidência de juros nos empréstimos cresceu nos dois anos analisados, de 74,5% em 2006 para 81,7% este ano.

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Inadimplência

De acordo com o diretor-presidente, a baixa renda toma muito cuidado na hora de pagar o empréstimo, para não se tornar inadimplente. “Porque ela não tem outra forma de crédito a não ser por financeiras e bancos”, explicou Grisi.

Ele afirmou que o índice de inadimplência permanece baixo e que somente uma mudança no cenário econômico nacional poderia reverter esta situação, com recessão e desemprego. “Sem isso, não vejo motivo para a baixa renda não pagar o empréstimo. São pessoas desprotegidas, que se tornam mais vulneráveis à economia”, afirmou.

O diretor-presidente ainda disse que haverá uma desaceleração do ritmo de crescimento do mercado de crédito este ano e que quem irá impulsionar o crescimento é o mercado de massa (baixa e média renda).