Até 2030, maior parte dos investimentos em habitação será voltada à classe média

Estudo mostra que o alvo principal dos investidores serão pessoas com renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 4 mil

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SÃO PAULO – Famílias com renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 4 mil terão mais investimentos habitacionais até 2030. Pesquisa realizada pela Ernst & Young, em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas), mostrou que serão destinados 26,1% de todo o investimento anual da indústria de habitação para esta faixa de renda, nos próximos anos.

Os dados estão baseados em um cenário referência, com investimento habitacional de 7,3% do PIB (Produto Interno Bruto) e crescimento econômico de 4% ao ano, até 2030. Para essas famílias, consideradas de classe média, as incorporadoras e construtoras devem se planejar para oferecer imóveis entre R$ 70 mil e R$ 150 mil.

Outras faixas de renda

As famílias menos privilegiadas pelos investimentos habitacionais, a partir de 2008 até 2030, serão aquelas com renda acima de R$ 32 mil, que ficarão com apenas 2,7% do mercado, de acordo com a tabela abaixo:

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Faixa de renda Participação nos investimentos Total de investimentos
Até R$ 1 mil 10,3% R$ 32,5 bilhões
de R$ 1 mil a R$ 2 mil 20,2% R$ 63,7 bilhões
de R$ 2 mil a R$ 4 mil 26,1% R$ 82,6 bilhões
de R$ 4 mil a R$ 8 mil 20% R$ 63,1 bilhões
de R$ 8 mil a R$ 16 mil 14,2% R$ 44,7 bilhões
de R$ 16 mil a R$ 32 mil 6,5% R$ 20,6 bilhões
acima de R$ 32 mil 2,7% R$ 8,6 bilhões

Fonte: Ernst & Young/FGV

Dois cenários

Ainda segundo a pesquisa, o que acontece é que o ritmo e o volume de negócios podem ser diferenciados em dois períodos.

No primeiro deles, de 2007 a 2017, o mercado de imóveis para famílias com menor poder aquisitivo, de até R$ 2 mil, é o que crescerá mais em termos absolutos. Trata-se de um mercado que opera com valores entre R$ 35 mil e R$ 70 mil, a preços de 2007.

De 2017 em diante, porém, aumentará muito a participação da classe média (família entre R$ 2 mil e R$ 4 mil de ganhos mensais).

“Esta será uma nova fase, que determinará modificações dos produtos ofertados, que poderão se sofisticar. E também das condições de acesso ao imóvel, pois, na medida em que se trata de um público de renda mais elevada, as necessidades de recursos subsidiados diminuem consideravelmente, ao passo que aumenta a demanda de crédito”, diz o estudo.