Aprovada redução do percentual de álcool na gasolina

Redução será de 25% para 20%, o que permitirá economia de 260 milhões de litros, impedindo queda na oferta interna

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SÃO PAULO – No final da semana passada o novo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, havia anunciado a possível redução do percentual de álcool na gasolina em relação aos níveis atuais. O assunto teria sido discutido com representantes da indústria canavieira e foi alvo de discussões com os ministérios da Fazenda e Minas e Energia.

A proposta foi aprovada nesta terça-feira, dia 21, pela Fazenda, e anunciada pelo Ministério da Agricultura. A medida busca garantir que a oferta de álcool no mercado interno seja mantida, através da redução do percentual de álcool na gasolina, de 25% para 20%. Desta forma, a nova medida entra em vigor em 1º de fevereiro, permitindo a economia de 250 a 260 milhões de litros de álcool entre os meses de fevereiro e abril deste ano.

O setor se preocupa com um possível risco de desabastecimento, pois segundo o presidente da Única (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo), Eduardo Carvalho, a demanda por álcool hidratado em 2002 acabou superando as expectativas, de forma que um estudo dos próprios produtores ressaltava o risco de uma possível falta de 400 milhões de litros de álcool ao final de abril.

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Safra deve ser antecipada

Buscando evitar esta situação, o ministro da agricultura teria sugerido a antecipação da safra de álcool no Centro-Sul de maio para o final de março. Em resposta, os produtores concordaram em antecipar a moagem de cana, o que deve garantir uma produção adicional de 600 milhões de litros de álcool até o final de abril.

Para evitar problemas semelhantes no futuro, o ministro conseguiu que os produtores se comprometessem a aumentar a produção de álcool em mais 1,5 bilhão de litros na próxima safra (2003/2004), de forma que a produção subiria 13,5%, de 11,1 bilhões de litros para 12,6 bilhões de litros de álcool.

Preço deve ficar estável

Como o litro do álcool é mais barato do que o da gasolina, muitas pessoas já anunciaram a preocupação que o preço da gasolina poderia ser aumentado, o que já foi desmentido pelo ministro.

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O último levantamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo) aponta para um preço médio do litro do álcool de R$ 1,363, frente aos R$ 2,163 da gasolina. Desta forma, a redução do percentual de álcool na gasolina poderia elevar o litro do combustível em cerca 2,4% para R$ 2,215.

Contudo, diante do forte recuo do dólar, que acumula queda de mais de 6% desde o início do ano, o ministro acredita que não será necessário reajustar os preços, pois permitiria que o aumento dos custos fosse compensado pela queda da moeda em relação ao Real.

Segundo os produtores, uma das razões para o aumento da demanda de álcool no final do ano passado seria o fato de que muitos motoristas optaram por misturar álcool com gasolina, mistura conhecida como “rabo de galo”, como forma de reduzir os gastos com combustível. De acordo com os produtores, devido ao sucateamento de 10% da frota de carros a álcool no país, a expectativa era de que a demanda de álcool tivesse caído no ano passado.