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SÃO PAULO – Apesar de a inflação ter registrado recuo em seis das sete capitais analisadas no IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) em junho, a tendência é de que ela volte a acelerar, impulsionada pelos alimentos e pelos preços de habitação.
De acordo com o economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), André Braz, a principal contribuição para o recuo, em junho, foi do grupo alimentação. A questão, porém, é que esta desaceleração não será duradoura, já que está ligada a alimentos voláteis em preços.
“Um deles é o in natura, que não tem influência do mercado externo. Com o começo de julho e do inverno, a oferta tende a cair e os preços, a aumentar”, afirmou. Outros alimentos citados por ele foram os derivados do trigo, que devem apresentar novas quedas, por causa do cenário internacional, e a soja, que contribuiu para o recuo, mas deve voltar a ter aumento de preços.
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Habitação
Outro item que deve pressionar a inflação nos próximos meses são os relacionados à habitação. “Em São Paulo, tivemos queda de 11% da tarifa elétrica no ano passado, o que conteve os preços. Uma queda desta magnitude fez com que fechássemos a inflação dentro da meta. Neste ano, a tendência é contrária”, explicou Braz.
Isso porque foi anunciado, na terça-feira (1), reajuste de mais de 8% na tarifa de energia elétrica de São Paulo, item que tem um peso de 3% na inflação. No IPC-S de São Paulo, isso já representa uma pressão de mais de 24%.
Já para o coordenador do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), Paulo Picchetti, o que poderá pressionar a inflação nos próximos meses são despesas como aluguéis, que sobem devido à alta dos alimentos. “A gente tem um aumento que é generalizado nestas despesas, em níveis menores do que o de alimentos, que é o que realmente preocupa”, explicou.
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Transportes
De acordo com Braz, outro item que merece atenção são os transportes, principalmente devido ao reajuste de preço de alguns combustíveis.
Na terça-feira (1), devido à obrigatoriedade da adição, no diesel, de 3% de biodiesel – cujo preço do litro é maior do que o do derivado de petróleo -, a Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes), estimou que o óleo diesel deve ficar cerca de R$ 0,01 mais caro ao consumidor final.
Inflação nas capitais
Veja, abaixo, o resultado do IPC-S Capitais no fechamento de 22 de junho e de 30 de junho:
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| Município | 22/06 | 30/06 |
| Belo Horizonte | 0,41% | 0,36% |
| Brasília | 0,98% | 0,85% |
| Porto Alegre | 0,56% | 0,64% |
| Recife | 1,03% | 0,90% |
| Rio de Janeiro | 0,88% | 0,65% |
| Salvador | 1,14% | 1,08% |
| São Paulo | 0,97% | 0,86% |
| IPC-S | 0,89% | 0,77% |
Fonte: FGV