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SÃO PAULO – A tendência de queda das taxas de juros praticadas ao consumidor – cuja média atingiu novo recorde histórico em dezembro, ao chegar a 7,18% ao mês – deve se reverter neste ano. A previsão foi divulgada na última terça-feira (15) pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), que aponta como motivos a inflação e também o reajuste do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
“Inicialmente, projetávamos novas reduções da taxa básica de juros [a Selic, atualmente em 11,25% ao ano], bem como a redução das taxas nas operações de crédito”, explicou Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da entidade, na análise divulgada à imprensa.
Questão dos preços
Em 2007, a inflação oficial do País, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 4,46% , dentro da meta estabelecida pelo Copom (Comitê de Política Monetária), de 4,5%. De qualquer maneira, o índice reverteu tendência de desaceleração verificada nos últimos cinco anos. O comportamento, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi motivado pelo encarecimento superior a 10% do grupo Alimentos e Bebidas.
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“O Banco Central deverá ser mais conservador nas próximas reuniões do Copom, o que deve fazer com que a Selic permaneça inalterada por um período mais longo”, adicionou Oliveira. A entidade espera, portanto, que novos cortes na taxa provavelmente ocorrerão no segundo semestre de 2008. Vale lembrar que, de setembro de 2005 ao mesmo mês do ano passado, em todas as reuniões do comitê, a Selic foi reduzida.
Crédito mais caro
Em 13 de dezembro último, o Senado derrubou a PEC (proposta de emenda à Constituição) que prorrogava a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011. Dessa forma, o tributo tornou-se extinto no último dia de 2007. Em 3 de janeiro, foram publicados, em edição extra do Diário Oficial da União, o Decreto 6.339, que reajustou o IOF, e a Medida Provisória 413, que aumentou a CSLL.
O caso do IOF pesa diretamente no bolso de quem toma crédito, porque dobrou sua alíquota diária de 0,0041% para 0,0082%, além de aplicar uma cobrança extra de 0,38% sobre o valor contratado. A elevação do IOF, explicou a Anefac, por si só deixará o juro maior: o banco precisa cobrar o imposto para repassá-lo ao governo, resultando em taxas efetivas maiores.
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Já o aumento de 9% para 15% da CSLL ao setor financeiro pode ser repassado ao cliente final, por meio do aumento das tarifas bancárias ou dos spreads*.
Volume de crédito
Mesmo com juros maiores, a associação prevê que 2008 igualmente será um ano pautado pela continuidade do aumento do volume de crédito, com expansão média de 25%. Os destaques são esperados para as linhas de financiamento habitacional, de veículos e o crédito consignado.
O montante liberado supera os R$ 880 bilhões, representando 34,3% do PIB (Produto Interno Bruto). Neste ano, deve atingir R$ 1,150 trilhão, correspondente a cerca de 40% do PIB.
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* diferença entre o custo de captação de recursos e o custo da taxa de empréstimos. Os spreads norteiam as taxas de juros empregadas ao consumidor