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SÃO PAULO – Assim como já havia acontecido no ano de 2001, o forte aumento registrado no Índice de Custo de Vida de São Paulo, publicado nesta terça-feira, dia 07/01, pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) acabou prejudicando de forma mais acentuada a parcela da população com menor poder aquisitivo.
População de baixa renda sofreu mais
Segundo dados do Dieese, a variação do ICV em dezembro foi de 2,39%. Contudo, o custo de vida das famílias mais pobres, cujo rendimento médio é de R$ 377,49, teria aumentado cerca 2,75%. Em seguida vieram as famílias com rendimento médio de R$ 934,17, cujo custo de vida no mês de dezembro aumentou 2,60%, e por último as famílias mais ricas, com renda média de R$ 2.792,90, cujo custo de vida aumentou 2,20%.
Esta tendência também teria sido verificada no acumulado do ano passado, período em que o ICV registrou variação positiva de 12,93%, já que o custo de vida das famílias mais pobres (renda média de R$ 377,49) subiu cerca 14,68%. Da mesma forma, o custo de vida das famílias de renda média de R$ 934,17 registrou um aumento de 13,59% no seu custo de vida, enquanto nas famílias mais ricas (renda média de R$ 2.792,90) o custo de vida teria subido 12,20%.
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Diferente composição dos gastos
A diferença na variação do custo de vida de acordo com o rendimento médio das famílias se deve ao fato de que a composição dos gastos das famílias varia de acordo com o seu poder aquisitivo.
De qualquer forma, independente do poder aquisitivo das famílias, os fatores que mais contribuíram para o aumento do custo de vida em 2002 foram os gastos com alimentação e saúde. Contudo, enquanto nas famílias mais pobres os gastos com alimentação contribuíram com uma alta de 1,43 ponto percentual na variação total do índice, nas famílias da segunda faixa o impacto foi de 1,22 p.p e nas mais ricas de apenas 0,79 p.p.
Entre as categorias que compõem o ICV, os gastos com alimentação (18,89%), saúde (17,76%) e despesas diversas (14,20%) foram os únicos que superaram a variação geral do índice. No item alimentação a maior alta ficou com a farinha de trigo (72,3%), óleo de soja (71,6%) e açúcar (70,1%), itens de necessidade básica cujo aumento dos preços reflete diretamente no custo de vida da população mais pobre.