Alta da Selic pode aumentar juros de crédito consignado para aposentados

A proposta de aumento já foi encaminhada ao ministro da Previdência Social, José Pimentel; hoje ela está em 2,5% ao mês

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SÃO PAULO – O ritmo de elevação da Selic pode ter como resultado o aumento dos juros cobrados no crédito consignado para aposentados e pensionistas.

Os empréstimos consignados são aqueles cujas parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento dos beneficiários. Por esta razão, o risco de inadimplência é bem menor, o que permite a cobrança de juros mais baixos em relação às demais taxas praticadas no mercado nas linhas de crédito pessoal tradicionais.

Segundo o superintendente de Projetos Especiais da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e também integrante do CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social), Jorge Higashino, a proposta de reajuste do teto do crédito consignado aos pensionistas da Previdência Social, hoje em 2,5% ao mês, já foi levada ao ministro da pasta, José Pimentel.

Ajuste de acordo com a Selic

Higashino afirmou à Agência Brasil que espera “a melhor oportunidade” para apresentar a idéia aos demais conselheiros. “Vamos aguardar um pouco mais o posicionamento do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, principalmente, para ver se continua [o ritmo de alta] ou se estabiliza, para, então, discutir no plenário”, afirma.

O superintendente afirmou ainda que a finalidade do grupo é ajustar os juros sobre o crédito com desconto em folha, de acordo com a variação da taxa Selic. “Assim funcionou desde 2006 para cá com a diminuição da taxa”, lembra.

A relação dos bancos

Em referência ao mercado, observou Higashino, o percentual cobrado é regulado pela concorrência entre os bancos.

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“Normalmente, quando se fala em consignado, o acordo que o banco faz com a empresa ou com o órgão para fazer empréstimo pode ter ou não fixação da taxa de juros”, acrescenta o superintendente.

Ele ainda argumenta que o aumento da taxa Selic significa alta na taxa de juros de captação dos bancos e, com isso, as instituições financeiras pagam mais caro para buscar recursos. “Então, não há como disponibilizar recursos para qualquer empréstimo, sem prever e considerar essa alta da taxa”, ressalta Higashino.

A alta da Selic

No último dia 23, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central corrigiu em 75 pontos-base a taxa Selic, que subiu de 12,25% para 13% ao ano.

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Essa política de aperto monetário, adotada principalmente para conter a alta da inflação, vem sendo adotada desde abril, depois de um ciclo de dois anos de reduções e congelamentos da Selic.