Alimentos ficam mais baratos e passam a consumir 18,7% do orçamento

Levantamento coordenado pelo Ipea, com base em dados do IBGE, mostrou que a fatia destinada à saúde se manteve

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SÃO PAULO – Nos últimos 15 anos, brasileiros residentes nas principais regiões metropolitanas sentiram um barateamento no preço dos alimentos. E, como resultado, de 1987/1988 para 2002/2003 caiu de 22,16% para 18,7% a fatia do orçamento das famílias destinada a essas compras. “Houve aumento na produção, o que resultou na diminuição dos valores”, explicou o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Nunes.

Os dados estão disponíveis no livro “Gasto e consumo das famílias brasileiras contemporâneas”, coordenado pelo Instituto de Pesquisa em Economia Aplicada (Ipea) e que utilizou como base de dados a Pesquisa de Orçamento Familiar, do IBGE. Mas não foi apenas esse tipo de dispêndio que teve modificação ao longo dos anos.

Saúde

Os gastos com saúde, por exemplo, ficaram praticamente estáveis na passagem desse período, correspondendo a 6,29% no levantamento anterior e passando para 6,91% em 2003. Apesar de uma certa estabilidade é importante lembrar que o dado é uma média de todas as famílias brasileiras que, quando analisada separadamente por renda, mostra um cenário diferente.

Por exemplo, as famílias concentradas na faixa de renda seis da análise de décimo (quando os ganhos são classificados em uma ordem de um a dez, no qual o maior número representa a maior faixa de renda) houve uma diminuição de 6,8% para 5,97%. Fenômeno semelhante ocorre com os brasileiros pertencentes ao grupo quatro (de 4,01% para 3,67%).

“Os preços praticados pela saúde privada aumentaram, então as pessoas das menores faixas de renda deixaram de ter acesso a planos de saúde”, explicou Bernardo Campolina, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, autor desse levantamento.

Educação e outros

A parcela do orçamento destinada à educação, por sua vez, aumentou de 3,16% para 5,5% no mesmo intervalo de tempo, motivada pelo maior ingresso dos brasileiros em universidades particulares.

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Veja, na tabela abaixo, a variação completa:

Proporção no orçamento
Grupo Em 1987/1988 Em 2002/2003
Alimentação 22,16% 18,7%
Habitação 18,55% 23,44%
Vestuário 11,29% 5,06%
Transporte 13,08% 13,12%
Higiene 1,67% 2,05%
Saúde 6,29% 6,91%
Educação 3,16% 5,50%
Cultura 3,76% 3,02%
Fumo 1,32% 0,67%
Serviços Pessoais 1,36% 1,19%
Despesas diversas 4,73% 3,09%
Outras despesas 12,62% 17,24%

Fonte: IBGE/POF