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SÃO PAULO – A partir de 1º de julho, a gasolina contará com 25% de álcool em sua composição, em vez dos atuais 23%. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (14) pelo Ministério da Agricultura.
E isso, de acordo com explicação dada recentemente por um dos diretores do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), Hélio Pirani Fiorin, pode fazer com que a gasolina passe a pesar menos no bolso do consumidor.
“Mas isso não deve ser muito representativo, algo em torno de 1,3% do cobrado atualmente”, explicou. Por litro, seria uma barateamento na ordem de dois centavos.
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Oscilação
Como o álcool é mais barato do que o derivado de petróleo, o aumento de sua participação acaba por fazer com que o preço final do combustível fique menor.
“Mas somos contra esse tipo de coisa. O valor do álcool oscila, em um ano, entre 30%, 40%, por causa da entressafra. Com representatividade maior na gasolina, em dezembro o preço da gasolina pode disparar de novo”, justificou.
E o álcool?
Conforme Fiorin, o preço do álcool não deve subir. Mesmo havendo menos disponibilidade do produto ao mercado interno, por conta da nova adição da gasolina, a expectativa é que muita cana-de-açúcar seja transformada em combustível neste ano.
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De acordo com o Departamento de Cana e de Agroenergia do Ministério da Agricultura, há uma folga na produção e no consumo em potencial.
“Este ano devemos produzir 2,5 bilhões a mais de litros. No mesmo tempo, o consumo motivado pela nova proporção deve ser de 600 milhões de litros”, explicou José Nilton de Souza Vieira, um dos diretores do órgão. Segundo o especialista, atualmente consome-se de seis bilhões a sete bilhões de litros de álcool anidro por ano.
Produção
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de álcool deste ano terá o maior volume da história, com 20,01 bilhões de litros, resultado 14,54% superior ao da última safra. Destes, 10,6 bilhões de litros serão de álcool hidratado (usado como combustível), 9,35 bilhões de litros de anidro (misturado à gasolina) e o restante do tipo neutro.
“O resultado se deve à forte demanda do produto nos mercados interno e externo, motivado principalmente pela fabricação de carros flex”, explicaram técnicos do instituto por meio de nota.
No bolso
Quando se fala em aumento da mistura do derivado de cana à gasolina, o temor que fica é que ocorra o mesmo fenômeno da penúltima entressafra. Entre o final de 2005 e meados de 2006, o litro do álcool chegou a quase dobrar de preço, situação motivada por dois fatores: a entressafra da matéria-prima e exatamente sua proporção ao combustível de petróleo. Sobrou menos combustível no mercado, o que fez com que os valores cobrados aumentassem.
Àquela época, em meio a falta de álcool, a proporção da mistura oscilou entre 20% e 25%. Entre dezembro do ano passado e maio deste ano, a relação foi parecida, entre 20% e 23%. No entanto, nesse intervalo de tempo, o valor do combustível vendido na bomba não subiu tanto, ficando cerca de 10% maior.