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SÃO PAULO – O Santander Brasil (SANB11) divulgou resultado no dia 26 de abril e suas units subiram mais de 1%. O Bradesco (BBDC4) soltou resultado no dia seguinte e adivinha? As ações subiram 3%. Já o Itaú Unibanco (ITUB4) – banco queridinho de boa parte do mercado – soltou um balanço “definitivamente bom” (nas palavras do BTG Pactual) e seus papéis chegaram a cair 2,5% na sessão desta quarta-feira, com baixa superior a 1% em boa parte do pregão.
Mas o que explica esse movimento? Afinal, o banco teve mais um resultado forte, como já destacado acima: o ROE (retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado) foi a 22,0% no primeiro trimestre contra 20,7% no quarto e 19,6% no primeiro trimestre de 2016. Além disso, o banco reportou lucro líquido de R$ 6,176 bilhões de janeiro a março, cifra 19,6% maior que a registrada um ano antes, de R$ 5,162 bilhões, influenciado pelas reduções das despesas não decorrentes de juros em 7,8%, impairment em 64,5% e despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa em 7,4%, principalmente no segmento de varejo.
Além disso, também houve controle das chamadas despesas não decorrentes de juros, que inclui pagamento de salários, com os R$ 11 bilhões significando queda sequencial de 7,8% e alta anual de apenas 0,8%.
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Porém, apesar dos bons números, os analistas Eduardo Rosman e Thiago Kapulskis, do BTG Pactual, destacaram: “as expectativas para os bancos se tornaram maiores após os dados melhores do que o esperado do que o Bradesco e o Santander na última semana. Porém, menores provisões e maior controle de despesas levaram a uma expansão robusta do lucro por ação (de alta de 6% no trimestre e de 20% na base anual), mas a inadimplência acima de 90 dias das empresas e uma queda na margem financeira dissiparam qualquer ânimo maior com o balanço”.
Houve uma redução de 8,0% da margem financeira com clientes e de 6,3% da margem financeira com o mercado, destacou a instituição. O BB Investimentos apontou que, em termos anualizados, a provisão para inadimplência do trimestre está em nível acima do previsto para todo o ano de 2017.
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Enquanto isso, conforme ressaltou o diretor de Relações com Investidores Marcelo Kopel, a inadimplência mais alta ocorreu em grande parte por conta de grandes grupos de infraestrutura, já mapeados pelo banco e com provisão elevada.
Assim, tanto a margem financeira quanto a carteira de crédito – que foi a R$ 586,998 bilhões ao final de março, redução de 1,9% em relação a dezembro, de R$ 598,431 bilhões – fizeram com que o resultado do banco não “brilhasse” aos olhos dos analistas. Em nota a clientes, Carlos Macedo, analista do Goldman Sachs, afirmou que a margem começou a mostrar sinais de pressão antes do esperado e além do usual para o trimestre.
Assim, uma vez que os analistas de mercado estavam com expectativas altas pelos números do banco, os dados apresentados acabaram gerando uma decepção, mesmo vindo fortes.
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Enquanto isso, o Bradesco…
Por outro lado, conforme destacamos na semana passada, mesmo sendo um resultado em linha com o esperado por muitos analistas, o Bradesco viu seus papéis registrarem alta em meio a alguns pontos de destaque do balanço. Os analistas do JPMorgan destacaram a forte melhora da qualidade dos ativos, enquanto os resultados mostraram um “resultado sólido com tendências mistas”, na visão do analista do Goldman Sachs Carlos Macedo, que apontou também a melhora da eficiência do banco. Além disso, o Bradesco informou provisão menor para empréstimos ruins no primeiro trimestre. “As despesas com provisões caíram pelo segundo trimestre consecutivo, para R$ 4,86 bilhões; no mesmo período do ano passado, o banco gastou R$ 5,45 bilhões com provisões”, o que animou o mercado na semana passada. Assim, o BTG Pactual ressaltou: “mais do que o lucro, a qualidade dos ativos mostrou boa melhora em todas as linhas. A margem financeira veio fraca, mas a provisão e o controle de despesas em meio ao fechamento de 190 agências e demissão de dois mil funcionários) mais do que ofuscaram”. Além disso, em teleconferência com jornalistas, as perspectivas foram bastante positivas. Os executivos do Bradesco previram que os índices de inadimplência terão melhora gradual ao longo dos próximos trimestres, e terão queda significativa a partir de 2018. Além disso, segundo o vice-presidente e diretor de relações com investidores do Bradesco, Alexandre Glüher, o banco já começou a perceber recentemente uma melhora na demanda por crédito, especialmente no varejo, tendência que deve se intensificar nos próximos meses. Copo meio cheio…
Desta forma, enquanto o Itaú Unibanco não brilhou, o Bradesco conseguiu mostrar uma melhora dos indicadores que refletiram no desempenho da ação na semana passada. Mas isso não quer dizer que o resultado do Itaú tenha sido uma decepção, conforme destaca a XP Gestão. “Não avaliamos que o Itaú tenha decepcionado de forma relevante ou tenha entregado algo muito abaixo daquilo que os outros bancos entregaram”. Segundo a gestora, o Bradesco tinha sido mais “deixado de lado” pelo mercado e existia uma percepção de que Itaú continuaria a ter um desempenho superior ainda nesse primeiro semestre, o que levaria à manutenção do prêmio entre as ações dos dois bancos. Mas isso não aconteceu depois desses resultados, devido à diferença de expectativa e a importância que o Bradesco tinha de mostrar uma melhora na qualidade de ativos, o que foi entregue neste primeiro trimestre. Além disso, essa diferença de desempenho também reflete uma alteração na visão de muitos analistas sobre qual ação é a mais atrativa dentro do setor. Depois de quase um ano em que o Itaú era quase uma unanimidade entre os analistas, muitas casas de análise passaram a apontar preferência em outros papéis, como o caso do Credit Suisse, que passou a preferir o Bradesco dentro do setor (veja mais clicando aqui). Porém, o Itaú Unibanco segue sendo o preferido de muitas casas de análise, como é o caso da XP Investimentos, que destaca que a instituição é uma boa alternativa em um cenário de retomada da atividade econômica. Além disso, a quem destaque preferência tanto pelo Bradesco quanto pelo Itaú, caso do BTG Pactual. Para os analistas, as duas ações se provam cada vez mais boas opções para a estratégia buy-and-hold (ou estratégia de comprar e manter as ações na carteira). A XP Gestão, por sua vez, aponta que, após uma melhora do desempenho da ação do Bradesco, ainda vê um nível de qualidade do balanço e carteira do Itaú: “dessa forma, não enxergamos nenhuma tendência clara de uma performance superior entre os bancos nesses níveis”. Assim, a reação aos balanços pode ter sido diferente mas, em meio à perspectiva de retomada, os analistas seguem positivos com os papéis. Gostou desta análise? Clique aqui e receba-as direto em seu e-mail!