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Balanço do 2° tri derruba uma das apostas na bolsa para 2017: a compra caiu por água abaixo?

Renovando mínimas a cada hora, as ações da Movida desabam 12% nesta sessão, com forte volume financeiro, após balanço do 2° trimestre frustrar expectativas do mercado

SÃO PAULO – Tendo nas costas números “impressionantes” de sua principal concorrente – a Localiza (RENT3) -, que, como sempre uma das primeiras a divulgar balanço, apresentou seus números do 2° trimestre em meados de julho, a Movida (MOVI3) tinha uma missão quase impossível ontem à noite, quando reportou seu resultado, de mostrar que – embora há quilômetros de distância da rival – segue pelo mesmo caminho da busca incessante por resultado e crescimento, com geração de retorno sobre capital investido. 

A reação das ações na bolsa nesta sessão, contudo, trazem uma única leitura: a empresa frustrou as expectativas do mercado. Às 14h58 (horário de Brasília), os papéis da Movida – a segunda maior empresa no setor de aluguel de automóveis – caíam 11,65%, a R$ 9,40, praticamente na mínima do dia, quando registraram desvalorização de 12,12%, a R$ 9,35. O volume financeiro era de R$ 65,6 milhões, contra média diária de R$ 6,7 milhões dos últimos 21 pregões. 

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O que o mercado viu?

A Movida registrou uma receita líquida de R$ 590,5 milhões no período, crescimento de 26,9% na comparação com o mesmo trimestre de 2016, enquanto o Ebitda (Lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) alcançou R$ 71,5 milhões, recuou de 12,3% na mesma base de comparação, levando a margem Ebitda (Ebitda/Receita) para uma queda de 5 pontos percentuais, para 29,7%. Já o lucro líquido saltou 97,4%, para R$ 11,1 milhões. 

Do lado das decepções, um relatório do BTG Pactual desta manhã, assinado pelos analistas Renato Mimica e Samuel Alves, aponta que a empresa mostrou mais um trimestre fraco, com receita líquida e lucro líquido abaixo das expectativas, impacto principalmente por um aumento das despesas gerais e administrativas (+95,8%) – a destacar as linhas de veículos roubados, provisões para devedores duvidosos e venda de veículos avariados, que somados afetaram em R$ 37,1 milhões o resultado consolidado da empresa.

“Seguindo três trimestres seguidos desapontando, estamos revisando para baixo nossas estimativas, incorporando as elevadas despesas e fraca rentabilidade do segmento de seminovos”, comentaram. Eles apontam também para o ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) da empresa, que voltou para o patamar de 7,5% – estável na comparação com o mesmo período de 2016 mas uma queda de 3,2 pontos percentuais em relação ao trimestre passado.

Em função disso, eles revisaram para baixo o preço-alvo por ação de R$ 14,00 para R$ 12,00, mas mantiveram a recomendação de compra. 

Mas será que o problema aqui está realmente no balanço?

Bom, vamos retornar alguns dias. Para quem não se lembra, no início de agosto, o “Especial Setores” do 2° semestre comentou sobre a Movida (veja aqui): a ação vista como a “novata promissora” da bolsa, que fez IPO (Initial Public Offering) em fevereiro deste ano e poderia destravar ainda muito valor aos acionistas. 

Um ponto ali, contudo, era colocado em destaque: esse é um case promissor, mas que não deveria ser visto trimestre a trimestre, comentavam  Adeodato Volpi Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial, e Paulo Frade, analista da Claritas. 

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Na ocasião, Adeodato comentava que não esperava um 2° trimestre emocionante e que – importante – a base comparativa com a Localiza poderia distorcer a percepção do mercado, abrindo uma oportunidade enorme para quem quiser comprar a ação. “Se alguém bater no papel porque esperava um trimestre melhor, o problema não está no trimestre mas na expectativa. Então se ela cair, compra, porque é efetivamente uma oportunidade”, dizia.

E agora? A ação desabou. Ainda é compra?
A resposta dele ainda é: sim! O problema, reforça, não está no balanço mas sim nas expectativas. 

“O resultado não emocionou, mas já esperávamos por isso. O que vemos é que a empresa tem uma dinâmica de negócios que está definitivamente consolidada na transformação de um modelo de crescimento para um modelo que gera ROIC (Retorno Sobre o Capital Investido). A questão de precificação da ação consolida ainda mais uma janela de oportunidade para o investidor, mas é preciso que se compreenda que esse não é um case de resultado trimestral. Não deve ser pensado para o curto prazo, mas pode trazer uma valorização muito forte no médio prazo”, disse.

Em relação à sua visão sobre o balanço do 2° trimestre, ele destaca como positivo o fato de a empresa ter mostrado uma evolução na margem bruta,  crescimento qualitativo na operação de GTF (Gestão e Terceirização de Frotas) e novo desenho da operação de seminovos, que trouxe 60% das vendas de carros em lojas próprias da empresa, abrindo espaço para uma reversão de margem negativa (-4,8% no 2° trimestre de 2017) para positiva, após um pesado ciclo de investimento na abertura de lojas. 

Do lado negativo, ele aponta para o aumento das despesas da empresa, afetada pela questão da sinistralidade – ponto ressaltado também pelo BTG (ver acima) -, mas que deve cair pela metade nos próximos dois trimestre seguidos, trazendo um importante impacto positivo nos balanços. Ele diz também que não vê o crescimento de 97% do lucro líquido como “extraordinário”; é um número bom, dado ao fato que a empresa cresceu muito em pouco tempo, mas acredita que ela esteja no caminho certo na dinâmica do seu negócio, revertendo a velocidade de crescimento para um modelo que foca mais no amadurecimento, melhoria de lucro, geração de resultado sobre capital investido.  

A Movida foi uma das ações mais comentadas hoje na apresentada da Carteira InfoMoney do mês de agosto. Clique aqui para conferir. 

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Paula Barra