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Não é hype. É pressão estrutural. A mudança profunda nos hábitos culturais e de consumo já força empresas a rever produtos, investimentos e posicionamento. No mundo, a economia da influência deixou de ser tendência para se tornar um motor financeiro: o setor caminha para movimentar quase meio trilhão de dólares até 2027, e já redefine prioridades estratégicas de marcas e investidores. Dentro deste cenário, o Brasil se coloca como um definidor de tendências, mas também escancara que diversidade não é filantropia ou pauta reputacional: é lucro mensurável.
Antes de falar de retorno financeiro, é preciso observar o que acontece no campo simbólico, esse espaço onde identidades, pertencimento e poder se organizam porque é nele que se decide quem consome, quem influencia e quem é autorizado a circular em determinados territórios sociais. Esse fenômeno não é periférico: é o novo mainstream.
Mas quais são as dimensões de desigualdade no ecossistema de influência? Quanto vale o consumo periférico quando ele disputa espaço com outros mercados? A crise de representatividade é ineficiência de mercado ou reprodução das estruturas que comunicam espaços por raça, classe, gênero, orientação sexual e território?
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Como aponta Sueli Carneiro, desigualdades não são acidentes: são construções históricas que moldam o acesso ao imaginário e ao capital simbólico.
A pesquisa TODX (Heads + ONU Mulheres) mostra que o abismo entre demografia e representação não é falha social, mas falha consciente de mercado e essa distorção tem impacto financeiro direto.
O cruzamento de territórios revela mercados antes invisíveis
Recentemente, vimos situações que geraram debates intensos não por causa da pessoa envolvida, mas pelo encontro tenso entre territórios sociais diferentes. Em três episódios concretos, ficou evidente que o foco não era o indivíduo. Eram as estruturas, expectativas e desigualdades que se revelam sempre que esses grupos se cruzam num mesmo espaço. Uma marca premium posicionou, lado a lado, uma liderança política, negra, da comunidade LGBTQ+, de origem periférica e uma figura típica do luxo aspiracional. Uma empresa de consumo de massa reuniu uma influenciadora popular com uma creator associada ao lifestyle de alto padrão. Uma colaboração entre marca democrática e grife internacional criou um produto híbrido: preço acessível, mas acesso simbólico exclusivo.
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O estranhamento não surgiu do casting, mas da fricção entre campos sociais distintos. Como explica Cida Bento, no seu livro “O Pacto da Branquitude”, existe um esforço silencioso de preservar quem ocupa determinados espaços simbólicos. Quando essa ordem é tensionada, surgem reações e tensões são alertas de mudança e oportunidade.
Diversidade não é custo: é multiplicador econômico
A Creator Economy brasileira movimentou R$ 21 bilhões em 2024, e os segmentos que mais crescem são justamente aqueles antes invisibilizados: creators negros, mulheres 50+, LGBTQIA+, indígenas, PCDs e perfis periféricos.
O motivo é simples: o Brasil é socialmente desigual, mas digitalmente distribuído.
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Os dados confirmam:
- Empresas com estratégias de DE&I têm 36% mais chance de superar concorrentes em lucratividade (McKinsey).
- Conteúdos com representatividade geram até 83% mais intenção de compra nas classes C e D.
- Creators diversos entregam 3x mais engajamento por real investido.
- Mesmo assim, recebem 32% menos remuneração média, evidenciando gaps na redistribuição financeira.
Ou seja: o retorno existe, mas não é equitativo.O ecossistema de criadores é hoje um termômetro poderoso das mudanças sociais e econômicas. E a intersecção entre consumo, tecnologia e identidade transformou a creator economy em um espelho das contradições socioculturais. Quando uma marca reúne perfis vistos como pertencentes a universos antagônicos: política x luxo, periferia x alta renda, massivo x exclusivo, ela rompe fronteiras tradicionais entre capital cultural, econômico, digital e simbólico
A quebra de barreiras como diferencial competitivo
O Brasil vive um fenômeno sociológico acelerado pelo digital: a crise das fronteiras simbólicas. Códigos culturais se misturam e pertencimentos antes rígidos se flexibilizam. O que antes parecia ameaça (“misturar mundos”) se tornou estratégia. O digital expôs repertórios, ampliou estéticas e tornou impossível sustentar ideias homogêneas de pertencimento. Ainda há forças de padronização, mas elas perdem fôlego diante de um Brasil múltiplo, plural e economicamente relevante.
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Lucrar com diversidade é entender o Brasil real e o Brasil possível
Diversidade não é tendência, é matriz de geração de valor no mercado contemporâneo, especialmente na era dos criadores. As marcas que prosperarão são justamente aquelas capazes de compreender as tensões sociais brasileiras em vez de suavizá-las, expandindo investimento e não apenas presença simbólica e criando cruzamentos entre territórios sociais com a consciência de que o desconforto faz parte inevitável dos processos de inovação.
São também as que reconhecem creators diversos como ativos estratégicos, e não como presenças decorativas ou circunstanciais. Porque, no fim, quem lidera o futuro é quem entende que a nova economia não cresce nas bordas, mas no encontro; e que o Brasil real, múltiplo e potente, deixou de pedir licença para existir. Ele já existe, já movimenta bilhões e já redefine as regras do jogo.
O Play9 Content Group lançará dois movimentos importantes: a maior pesquisa sobre influência no Brasil, em parceria com a Influência Negra e o Pacto Global da ONU Brasil e o Projeto Horizonte, que será a maior plataforma de inovação afrocentrada voltada para equidade e inclusão.
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A pergunta não é mais se diversidade gera lucro.
A pergunta é: quem está preparado para lucrar com um Brasil que mudou e que não quer e não vai deixar ninguém para trás?