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Nos últimos anos, o mercado financeiro aprendeu a olhar para startups e empresas de tecnologia como motores de inovação. Mas há um setor crescendo paralelamente, ainda distante do olhar tradicional dos investidores: a creator economy. E, dentro dela, existe uma categoria que segue enfrentando resistência: a do criador de conteúdo que se posiciona como empresário.
Entendi cedo que, se quisesse viver de arte, precisaria ir além da performance. Venho do teatro, da dança e da expressão corporal, mas quando escolhi viver de conteúdo, percebi que talento não bastava. Eu precisava transformar criatividade em rotina, planejamento e estratégia. Foi essa virada que mudou minha carreira.
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Para mim, dizer que “meu conteúdo é meu CNPJ” significa assumir que o que produzo não depende de sorte ou viralização, mas de constância, organização e decisões de longo prazo. É assim que construo minha presença nas plataformas: com criatividade, sim, mas também com método.
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Quando alguém vê uma esquete de 30 segundos, não imagina a operação por trás. Gravar é só a parte mais visível. Minha semana é dividida entre treinos, que influenciam meu humor, meu corpo e minha disposição para performar, aulas de dança, estudo de atuação, oratória, inglês, pesquisa de referências e horas dedicadas à criação.
Minhas ideias não surgem do nada: tenho blocos de anotações, frases soltas e situações reais que transformo em humor. Um vídeo começa semanas antes, quando observo o que as pessoas sentem e comentam. Criar virou hábito, não impulso.
Também existe o lado técnico: iluminação, cenário, roteiro, direção, gravação, revisão, edição e publicação. Nada disso acontece no improviso. Por exemplo, toda semana separo um dia inteiro apenas para gravações. Tenho dias certos para cada etapa porque entendi que, sem processo, não há constância, e sem constância, não há crescimento.
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Essa forma de pensar e estruturar meu trabalho com internet também mudou minha relação com marcas. Hoje sei explicar meu público, minhas métricas, meu estilo e minha lógica de criação. Sei negociar com mais clareza porque entendo meu valor, não só o do meu alcance. Criador que se entende como empresa negocia melhor, cria melhor e cresce melhor.
Trabalhar com internet tem seus altos e baixos. Alguns meses têm mais publicidade, outros menos e é preciso estar pronto pra isso. No início, tudo parecia incerto. Com o tempo, aprendi a construir minha própria previsibilidade, sem depender exclusivamente das plataformas.
Entendi que não posso depender de uma única rede social ou formato. Por isso expandi: TikTok, Instagram e agora o YouTube, onde posso mostrar lados meus que não cabem nos vídeos curtos. Também investi em projetos que vão além da publicidade, como séries autorais e trabalhos no audiovisual, áreas que dialogam com minha formação artística.
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Diversificar, para mim, não é só estratégia financeira, é proteger um dos meus bens mais preciosos: minha liberdade criativa. Assim posso testar formatos, explorar outras versões de mim e crescer de forma mais sustentável.
Criar conteúdo virou uma carreira de longo prazo, não uma corrida por viralização. Viralizar é ótimo, mas não é plano de carreira. Meu plano é construir algo que continue existindo daqui a anos, mesmo que os algoritmos mudem.
Acredito que o criador de conteúdo é uma das profissões mais completas da nova economia. Exige técnica, presença, estudo e responsabilidade. Criadores constroem comunidades, influenciam hábitos e definem tendências culturais, e isso tem valor econômico real.
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Para mim, empreender na creator economy é unir o que aprendi na arte ao que construo no digital. É usar minha criatividade como ferramenta, minha disciplina como motor e minha visão como direção.
Meu objetivo não é apenas crescer nas plataformas, mas construir uma carreira sólida, que dialogue com o audiovisual, com o entretenimento e com tudo o que sempre sonhei. Quero ser exemplo de que criador é, sim, profissional, e que criador também é empresário.
Se o mercado tradicional ainda não percebe todo o potencial por trás desse trabalho, quero ajudar a ampliar essa conversa. Porque, quando a gente reconhece o próprio valor, tudo começa a se alinhar de um jeito mais verdadeiro.