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Super-Quarta

Super-quarta sempre gera volatilidade. Mesmo quando sabemos quais serão as decisões.
Por  Alexandre Aagesen
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Cenário 1: você é o presidente do comitê de política monetária do Banco Central do seu país. O núcleo do seu índice de inflação preferido já está rodando de novo na meta nos últimos meses (IPCA ou PCE). Dados de inflação antecedentes mostram também uma desaceleração surpreendente (PPI ou IGP-M). E hoje, dia 43 de janeiro, super-quarta, esperam que você decida o que fazer com os juros. Você é o primeiro a votar. O café esfria enquanto o suor desce. Se você fala português, você deve dizer “corta 50 bps e se os dados permitirem vamos seguir assim nas próximas reuniões”. Se fala inglês, você diz “hold steady, but as data allows, we will cut at any time”.

Cenário 2: você é o presidente de um país hispanohablante no norte da América do Sul. Há alguns meses, os EUA decidiram te fazer uma proposta: Se você topar eleições justas e transparentes em 2024, a gente tira as sanções do seu país. Brilhou: “¡vamo-nos!”, você diz. As sanções caem, o tempo passa, e – para sua surpresa – a pessoa que ganha as primárias da oposição, é de fato uma ameaça. “No no”, você diz “ela não pode. Ela é amiga do Guaidó, então é inelegível”. Para sua surpresa, o segundo que ganha as primárias, também é amigo do Guaidó. Ora, parece que essa tal ‘oposición’ quer levar um nome que não foi aprovado por você. Ta de sacanagem? E para piorar, agora o mercado de petróleo está tranquilo de novo, e os “malditos imperialistas” estão voltando com as sanções. Sem ‘plata’, só ‘plumbo’. Droga, hora de ligar para os seus antigos amigos. Como fala “Hola” em russo ou mandarim mesmo?

Cenário 3: você é um investidor brasileiro, com tempo livre suficiente para ler um garoto meio tonto escrever uma coluna diária de “uma página”, num portal de notícias financeiras. Você precisa decidir quais dados acompanhar. Na coluna de ontem ele te disse para olhar a divulgação do QRA, que sai agora de manhã, muito mais do que o FOMC e o COPOM que saem a tarde e no fim do dia. Mas além disso você sabe que deveria estar olhando para outras coisas. Você escolhe o juro real de 10 anos no Brasil (deu uma bela puxada), ou o ouro que sobe como se estivéssemos em uma recessão?

Ficou com alguma dúvida ou comentário? Me manda um e-mail aqui.

Alexandre Aagesen Com mais de 15 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", host do podcast "Mercado Aberto" e Investor na XP Investimentos

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