Powell Free Style

Depoimento do Chariman do Federal Reserve atrai atenção do mercado.

Alexandre Aagesen

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When I find myself in times of trouble, Mother Christie comes to me speaking words of wisdom, let it be. Se você não curte Beatles tanto quanto curte decisões de política monetária – e eu sei que você curte política monetária – deixa eu te traduzir: Christine Lagarde, a mamãe Christie, presidente do ECB (Banco Central Europeu), se reúne com o time de hoje para amanhã para decidir juros na zona do Euro: e vai ser Let It Be, a gente sabe. Em bom português, “manteu”. Mas, como sempre, o que vale é acompanhar o discurso depois da decisão. Quero ouvir as words of wisdom. Gogó de Banqueira Central tem poder.

Para hoje, uma inundação de dados econômicos. O que você quiser: dados de emprego (ADP e JOLTS), dados de atividade (PMIs e Livro Bege), dados de investimento (estrangeiro direto, no caso), dados políticos (data de “eleição” – entre aspas mesmo – na Venezuela), dados fiscais (orçamento no Reino Unido) e – principalmente – dados de craps. Pois é, façam suas apostas. O pior pesadelo dos diretores do Fed. O pior pesadelo do Relações Públicas do Powell. O pior pesadelo dos mercados. O passatempo favorito deste que vos fala. Hoje é dia de Powell Free Style. O nosso amigo Jay vai hoje dar seu depoimento anual ao Congresso Americano. Esqueça as frases ensaiadas. Esqueça os argumentos preparados. Aqui o Powell vai precisar improvisar, e todos sabemos quão bom ele é nisso. Espere qualquer coisa! Há um ano, no Congresso, ele afirmou que voltaria a acelerar subidas de juros e que subiria muito ainda. Faltava menos de uma semana para a reunião de março. Em todas as próximas reuniões ele foi obrigado a reduzir o pace de altas e o tom. Há quem diga (eu) que a fala dele no Congresso teve impacto relevante na própria quebra do SVB. Como diria Scar, um outro vilão que eu gosto muito: “Se preparem!”.

Ontem ainda vimos algumas coisas engraçadas. Juros pra baixo, bolsa pra baixo, dólar pra baixo, commodities (no geral) pra baixo. Mas também vimos ouro pra cima (all time high), bitcoin pra cima (all time high), bitcoin pra baixo (devolveu o all time high), vol implícita pra cima. Eu sei lá que recados são esses. Risk-on e risk-off ao mesmo tempo. Ok, tranquilo. Vale destaque particular para os juros reais aqui no Brasil. Inflação implícita fechou que parece que viramos Suíça (tipo ao redor de 4,50%). Não acho que essa composição de FOCUS em 3,50%, implícita em 4,50% e juro real em 5,60% vá se manter assim muito tempo. (Como sempre, não é recomendação de investimento).

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Alexandre Aagesen

Com mais de 16 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, CAIA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", professor convidado e Investor na XP Investimentos