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A wise old owl lived in an oak; The more he saw the less he spoke; The less he spoke the more he heard: Why can’t we all be like that bird? A comunicação dos banqueiros centrais mudou muito ao longo do tempo, e não necessariamente para melhor. Sim, gogó de banqueiro central tem poder, mas é um poder a ser usado com moderação. Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, como diria o tio Ben. Na era Greenspan, por exemplo, não havia comunicação pontual. Você ficava sabendo o nível dos juros e agradecia por isso. Em junho de 1995, em audiência no Senado, Greenspan disse “Se vocês acham que me compreenderam, provavelmente eu me expressei mal”. Antes dele, era comum sequer a taxa de juros ser anunciada, você só ficava sabendo no Open Market. Depois, Yellen – a frente do Fed – abriu uma agenda pública, onde ela era a porta voz do banco. Hoje, qualquer um dos diretores fala livremente, sem alinhar discursos, inclusive (e talvez principalmente) o Chairman, Powell.
Aqui, num país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, temos problemas semelhantes. Nos últimos meses os discursos do Banco Central são sinônimo de volatilidade. Não importa quem vai falar, pode ter certeza de que a curva vai abrir e o estresse vem. Mas ontem tivemos uma surpresa e – como sempre – veio de onde a gente não esperava. Gabriel Galípolo foi escalado para um discurso. Medo, temor, frio na espinha. O café esfria enquanto o suor desce. Mas não precisava de nada disso. Uma sobriedade, uma postura, um verdadeiro Banqueiro Central, conciliador, político e técnico. Podem ser palavras ao vento, mas foram belas palavras.
No BCE também temos discursos, no caso ontem tivemos um e hoje vamos ter outro. Por lá, até agora, um raro consenso. E ainda melhor, um consenso Dovish. Why can’t we all be like that bird? Devemos ver o primeiro corte por ali ainda em junho. Bom, no geral, ontem foi um dia tipicamente atípico, como é típico de hoje em dia. Como fica um jogo de xadrez se um dos lados não está à mesa? Como fica o mercado sem ingleses e norte-americanos? Bom, fica ilíquido e ficamos ouvindo discursos, claro.
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