Formação para Banqueiros (Centrais)

Resposta à Powell, Mester, Lagarde e - principalmente - Non-Farm Payroll movem mercados hoje.

Alexandre Aagesen

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Ontem o nosso amigo Powell se animou mais. No seu primeiro dia no congresso, conseguiu se manter dentro do plano. Sério, sóbrio, sisudo. Mas se você fizer perguntas suficientes para um homem, ele se perde. Principalmente este homem. Neste segundo dia no congresso, foi mais Dove do que a Unilever. “Não precisamos esperar a inflação chegar em 2% para cortar, precisamos ter confiança em relação à inflação”. “Não estamos longe de termos confiança com inflação”. Até a probabilidade de março deu uma subida (mas pequena). Loretta Mester, do Fed de Cleveland não esperou nem o seu colega Jay sair do congresso e já saiu corrigindo: “Podemos manter juros restritivos por mais tempo, se inflação estagnar acima de 2%”. Fantástico! Mester vs Powell. Juros caem antes ou depois de inflação chegar em 2%? As vezes a gente precisa mesmo de uma mulher para corrigir as besteiras de um homem. Principalmente este homem.

E nem precisava ser dia das mulheres para eu trazer mais uma policymaker aqui pra gente (mas hoje é, então feliz dia, mulheres!): Christine Lagarde, do ECB. Manteve juros parados, como sabíamos que o faria, e seu discurso foi bem dove também. Mas do lado de lá do Atlântico, tinha que ser mesmo. A economia por lá está mais fraca e a inflação bem mais controlada. Antecipou o Powell em algumas horas quando disse que não vai esperar a inflação chegar em 2% para cortar. Bem, se você ganha em dólares, seu mochilão pela Europa pode ficar bem mais barato em breve. Se ganha em reais mesmo, vai seguir caro (mas um pouco menos).

Se gostamos de conflito (e eu sei que gostamos), pega esse jogo: Se ECB esperar muito para cortar, sua economia pode emburacar ainda mais. Se cortar muito antes do Fed, a moeda apanha. Agora coloque na sua equação todos os outros Bancos Centrais de desenvolvidos. UK, Austrália, Canadá e – principalmente – Japão, que está na contramão pensando em subir juros. E, por fim, coloque na conta o impacto que um corte na Europa teria sobre a possibilidade de corte nos EUA. Olha esse xadrez global. John Nash pira! Para hoje ainda, olho no Non-Farm Payroll, o mais importante da semana. É aqui que o bicho REALMENTE pega. E, falando em xadrez, olho no seu enxadrista favorito: Se ele foi chamado de terrorista pelo Putin, você passa a gostar ainda mais dele, ou se afasta? Acho que sigo #teamGarry por aqui.

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Alexandre Aagesen

Com mais de 16 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, CAIA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", professor convidado e Investor na XP Investimentos