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Durma Enquanto Eles Trabalham

Movimentações na China desde a volta do feriadão de ano novo (lunar) roubam parte da cena dos juros americanos e minério de ferro cai forte
Por  Alexandre Aagesen -
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

China fez barulho essa madrugada. Enquanto você dormia, eles estavam trabalhando, no melhor estilo coach-clichê. Sim, eles estão em outro fuso-horário, e daí? Vai viver de desculpas até quando? Mas, aparentemente, o Xi está preocupado. Se, em 2023, ele deu, em média, um estímulo a cada dez dias, em 2024 ele quer dobrar a meta: hoje foi um corte gigante nos juros de 5 anos e nos juros das hipotecas. Saudade de uma bolha imobiliária, né, minha filha? Mas o mercado sentiu isso como fraqueza e, ao invés de comemorar o impulso monetário, puniu a decisão, via minério de ferro, que segue em forte queda.

Outro ponto coach-clichê: “se todos estão preocupados com algo, você não precisa se preocupar”. Mas o oposto disso também é verdade? Recentemente, a Casa Branca se vangloriou de ter o Consumer Confidence Index mais alto dos últimos dois anos (114.8) segundo o Conference Board. Isso foi muito usado para “garantir” que os EUA estão “oficialmente” em soft-landing. Também ressuscitou a discussão de onde estava esse mesmo índice em outros momentos, como em março de 2020 (118.8), julho de 2007 (111.9), junho de 2001 (118.9) e assim por diante. Em todos esses casos, os índices mostravam bons níveis, mas todos sabemos o que aconteceu nos meses seguintes. Não estou tentando ser catastrófico ou arauto do apocalipse aqui. Só não podemos esquecer que a probabilidade de um hard-landing nunca é zero. A inversão de curvas, os próprios headlines dos jornais e tanto o JPMorgan quanto o Citi indicam que essa probabilidade não é desprezível. Quem olha o yield curto das treasuries vê cerca de 100 bps de cortes em 2024. Quem olha para o mercado de opções de Fomc vê muito menos. A diferença é uma probabilidade implícita de uma eventual necessidade de cortar muito mais rápido, possivelmente causada por uma recessão. Mas ninguém mais está falando disso.

E, por fim, o coach-clichê do silêncio: “quem fala o que quer, escuta o que não quer”. Vale acompanhar de perto a galera do “deixa-disso”, tanto no caso do Powell (amanhã temos ata do Fomc, provavelmente ainda na linha de “desdizer o Powell de dezembro”), quanto do Lula, agora persona non grata em Israel. Ali perto, no Mar Vermelho, também vale acompanhar a escalada dos Houthis, afundando barcos (no plural) e sendo perseguidos agora por uma missão da União Europeia também. A trama se complica. E, falando em trama complicada, você deve ter visto a nova resolução do CNPS, de fundos exclusivos de previdência. Pois é, como diria o poderoso Gru, “se tratando de Fundo Exclusivo de Previdência, não temos Fundo Exclusivo de Previdência”. Despicable!

Ficou com alguma dúvida ou comentário? Me manda um e-mail aqui.

Alexandre Aagesen Com mais de 15 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", host do podcast "Mercado Aberto" e Investor na XP Investimentos

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