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Dados, trocadilhos e indicadores

Em semanas cheias de dados econômicos, mercado ganha volatilidade, mas isso não necessariamente aparece nos indicadores tradicionais
Por  Alexandre Aagesen -
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Seguimos em nossa temporada de dados. Hoje temos JOLTs nos EUA (o primeiro de três dados de emprego da semana) e PIB no Brasil. Qualquer um pode fazer barulho e existe uma chance razoável de vermos um PIB negativo por aqui. Na quinta, temos PIB da Zona do Euro e sexta, Payroll. Mas todos esses são os minions (sentido original da palavra, não o contexto politizado que tem hoje em dia) dos cinco chefões que vamos enfrentar na semana que vem. Inflação aqui e nos EUA, decisão de política monetária aqui e nos EUA e, principalmente, o leilão de títulos de 10 e 30 anos do Tesouro americano nos dias 11 e 12. May the odds be ever in our favor.

Por aqui, acho que está na hora de as empresas incorporarem escritórios de consultoria financeira para reestruturação de capital. Contratar externo está dando muita pinta de RJ e não é legal. Agora é a vez da Gol contratar uma. Coincidentemente é a mesma consultoria usada pela Azul em 2020. Coincidência não, vai. Trata-se de uma das principais consultorias financeiras de linhas aéreas do mundo. Agora a empresa vai decolar. No mínimo, o CEO vai ter um copiloto. O time financeiro deve estar com a cabeça nas nuvens. O debenturista está pensando se vale apertar o eject. Ponto, Ponto, Ponto; Traço, Traço, Traço; Ponto, Ponto, Ponto (código Morse para “S.O.S.”). Recebi uma mensagem aqui do equityholder: Mayday.

Por fim, ontem foi dia de risk-off. Juros abrindo (aqui foram 15bps, fazia tempo que não víamos essa magnitude), dólar subindo e bolsas caindo. MOVE respondeu, Vol Brasil respondeu, VIX segue quietinho. Pareceria uma boa opção de proteção da carteira, está barato mesmo, mas se ele não responde quando há estresse, não me resolve. Desde que começamos a ter opções de um dia lá nos EUA, o VIX está mais sonolento (para dizer o mínimo). A gente não tem um “VIX” brasileiro. Esse abaixo (“Vol. Impl. Br.”) segue a mesma metodologia do VIX, adaptado para a nossa realidade, mas é feito no meu Excel. De qualquer forma, quando a B3 começar a lançar opções de 1 semana (e deve começar em breve) ele também deve perder usabilidade. Novos tempos exigem novos indicadores. Faz parte.

Ficou com alguma dúvida ou comentário? Me manda um e-mail aqui.

Alexandre Aagesen Com mais de 15 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", host do podcast "Mercado Aberto" e Investor na XP Investimentos

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